30/07/2026
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Abelhão-cardador (Bombus pascuorum)
17 de Junho de 2026
Canidelo - Vila do Conde - Portugal
Canon 90D
Canon Portugal
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National Geographic Portugal
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Nome científico:
Bombus pascuorum (Scopoli, 1763)
Nome comum:
Abelhão-cardador
Família:
Apidae
Descrição:
O Abelhão-cardador (Bombus pascuorum) é uma das espécies de abelhões mais comuns em Portugal. Distingue-se pela abundante pilosidade castanho-alaranjada do tórax e pelos tons castanhos ou amarelados do abdómen, não apresentando as bandas amarelas bem definidas nem a extremidade branca características de outras espécies de abelhões.
Possui uma língua comprida, adaptada à recolha de néctar em flores tubulares, sendo um importante polinizador de numerosas plantas silvestres e cultivadas. Vive em pequenas colónias anuais constituídas por uma rainha, operárias e machos. É uma espécie geralmente calma e pouco agressiva, utilizando o ferrão ap***s quando se sente ameaçada ou quando o ninho é perturbado.
Tamanho:
O tamanho varia consoante a casta. As rainhas medem geralmente entre 15 e 18 mm de comprimento, as operárias entre 9 e 15 mm e os machos cerca de 12 a 15 mm. As rainhas são os maiores indivíduos da colónia, podendo apresentar uma envergadura superior a 30 mm.
Habitat:
Ocupa uma grande diversidade de habitats, incluindo prados, pastagens, matagais, jardins, parques urbanos, hortas e zonas agrícolas, desde que exista abundância de plantas com flor. É uma espécie muito adaptável, ocorrendo desde o litoral até às zonas de montanha.
Os ninhos são normalmente construídos à superfície ou em pequenas cavidades protegidas por vegetação, musgos ou folhas secas, utilizando ocasionalmente antigos ninhos de aves. A sua presença está diretamente relacionada com a diversidade e disponibilidade de flores ao longo do ano.
Reprodução:
O ciclo de vida é anual. Após o acasalamento, ap***s as novas rainhas sobrevivem ao inverno, permanecendo em hibernação até à primavera, altura em que fundam uma nova colónia.
Inicialmente, a rainha assegura sozinha a construção do ninho e a alimentação das primeiras larvas. Com o aparecimento das operárias, estas passam a desempenhar todas as tarefas da colónia, enquanto a rainha se dedica exclusivamente à postura de ovos. No final do verão nascem machos e novas rainhas, sendo ap***s estas últimas as sobreviventes que darão origem a uma nova geração.
Longevidade:
A longevidade varia consoante a casta. As operárias vivem geralmente entre três e seis semanas, enquanto os machos sobrevivem ap***s algumas semanas após o acasalamento. As rainhas podem viver cerca de um ano, incluindo o período de hibernação.
Alimentação:
Os adultos alimentam-se de néctar, enquanto o pólen constitui a principal fonte de proteínas para o desenvolvimento das larvas. A sua língua comprida permite explorar flores profundas, visitando frequentemente urzes, lavandas, trevos, silvas, cardos, centáureas, dedaleiras e diversas espécies das famílias Fabaceae, Lamiaceae e Asteraceae. É também um importante polinizador de várias culturas agrícolas e hortícolas.
Perigo para o ser humano:
O Abelhão-cardador (Bombus pascuorum) é uma espécie pouco agressiva e raramente representa perigo para o ser humano. Ap***s utiliza o ferrão quando é manipulado ou quando o ninho é perturbado. A picada provoca normalmente dor localizada, vermelhidão e um ligeiro inchaço, embora pessoas alérgicas ao veneno dos himenópteros possam desenvolver reações mais graves.
Período favorável à observação:
Em Portugal pode ser observado desde o início da primavera até ao final do outono, sendo mais abundante entre abril e setembro. As rainhas surgem no início da primavera, seguindo-se as operárias durante o verão e, no final da estação, os machos e as novas rainhas.
Espécies semelhantes:
Pode ser confundido com outros abelhões de coloração acastanhada, como Bombus muscorum e Bombus humilis. Distingue-se geralmente pelo tórax castanho-alaranjado e pela ausência das bandas amarelas bem definidas presentes em muitas outras espécies do género.
Predadores naturais:
O Abelhão-cardador (Bombus pascuorum) faz parte da alimentação de diversas espécies de aves insetívoras, aranhas, louva-a-deus e libélulas. Os ninhos podem ainda ser atacados por pequenos mamíferos, como musaranhos e texugos, que consomem as larvas e pupas. Alguns parasitas e agentes patogénicos também podem afetar as colónias.
Mecanismos de defesa:
A principal forma de defesa consiste na fuga rápida perante situações de perigo. Quando se sente ameaçado, pode produzir um zumbido intenso como sinal de advertência e, em último recurso, utilizar o ferrão. Ao contrário da Abelha-do-mel (Apis mellifera), o seu ferrão não possui farpas, permitindo-lhe picar mais do que uma vez.
Curiosidades:
O nome comum "abelhão-cardador" está relacionado com o comportamento das rainhas na preparação do ninho, utilizando musgos e ervas secas para formar uma estrutura isolante. Graças à sua língua comprida e à capacidade de realizar polinização por vibração (buzz pollination), é um dos polinizadores mais eficazes de muitas plantas silvestres e cultivadas. As suas colónias são anuais e normalmente constituídas por algumas dezenas de indivíduos.
Ameaças:
> As principais ameaças ao Abelhão-cardador (Bombus pascuorum) incluem a destruição e fragmentação dos habitats, a redução das flores silvestres, a utilização de pesticidas e herbicidas e as alterações climáticas.
> A propagação de doenças e parasitas entre polinizadores pode também afetar as suas populações.
Conservação:
> A sua conservação depende da manutenção de habitats ricos em flora autóctone e da adoção de práticas agrícolas sustentáveis.
> A preservação de prados naturais, sebes vivas e margens floridas, bem como a redução do uso de pesticidas, são medidas importantes para garantir a sobrevivência desta espécie e de outros polinizadores.
Importância ecológica:
Desempenha um papel fundamental na polinização de numerosas plantas silvestres e cultivadas, contribuindo para a produção de frutos e sementes e para a manutenção da biodiversidade. A sua capacidade de polinizar flores profundas torna-o particularmente importante em várias culturas agrícolas e na conservação dos ecossistemas naturais.
Observações:
Em Portugal, o Abelhão-cardador (Bombus pascuorum) é um dos abelhões mais comuns durante a primavera e o verão, sendo frequente em jardins, parques, campos agrícolas e áreas naturais ricas em flores. A sua presença é considerada um bom indicador da qualidade ecológica dos habitats e da disponibilidade de recursos florais, desempenhando um papel importante na polinização de plantas silvestres e culturas agrícolas.
Origem e significado do nome científico:
O nome do género Bombus deriva do latim bombus, que significa "zumbido", numa referência ao som produzido durante o voo. O epíteto específico pascuorum significa "dos pastos" ou "das pastagens", fazendo alusão aos habitats onde esta espécie é frequentemente observada.
Glossário:
- Abelha social: Espécie que vive em colónias organizadas com diferentes castas.
- Corbícula: Estrutura nas patas posteriores das fêmeas usada para transportar pólen.
- Diapausa: Estado de dormência que permite às rainhas sobreviver ao inverno.
- Himenóptero: Ordem de insetos que inclui abelhas, vespas, formigas.
- Néctar: Líquido açucarado produzido pelas flores, fonte de energia para os polinizadores.
- Polinização por vibração: Libertação do pólen através da vibração dos músculos do tórax.
- Pólen: Estrutura reprodutora masculina das plantas com flor, rica em proteínas.
- Probóscide: Aparelho bucal alongado usado para recolher néctar.
- Rainha: Fêmea fértil que funda a colónia e põe os ovos.
- Operária: Fêmea estéril responsável pela alimentação, manutenção do ninho e cuidado das larvas.
Distribuição:
O Bombus pascuorum distribui-se por grande parte da Europa e oeste da Ásia.
Em Portugal encontra-se amplamente distribuído por todo o território continental, desde o litoral até às zonas de montanha, sendo frequente em áreas agrícolas, jardins, parques e habitats naturais ricos em plantas com flor.
Existem também registos da espécie no arquipélago da Madeira.
Estatuto de Conservação:
Pouco preocupante (LC)
Proteção Jurídica:
Em Portugal, o Bombus pascuorum não beneficia de proteção legal específica, mas encontra-se abrangido pela legislação que protege a biodiversidade, os habitats naturais e os insetos polinizadores.
Referências bibliográficas:
- Baldock, K. C. R. et al. (2018). A Systems Approach Reveals Urban Pollinator Hotspots and Conservation Opportunities.
- Falk, S. (2015). Field Guide to the Bees of Great Britain and Ireland.
- Goulson, D. (2010). Bumblebees: Behaviour, Ecology and Conservation.
- Guia dos Insetos Polinizadores de Guimarães. Laboratório da Paisagem.
- Rasmont, P. & Iserbyt, S. Atlas of the European Bees: Genus Bombus.
- TAGIS – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.
- Câmara Municipal de Loures. Conheça os Polinizadores do Concelho.
- Câmara Municipal de Lisboa. Guia dos Insetos Polinizadores de Lisboa.