23/06/2026
Há homens que não se medem em números, em golos, em troféus, em capas de jornal ou em opiniões de circunstância. Há homens que se medem naquilo que deixam dentro de um país inteiro. E o Cristiano já deixou mais em Portugal do que alguma vez caberá em estatísticas.
Hoje não escrevo sobre um jogador. Hoje escrevo sobre um símbolo. Sobre um nome que carregou Portugal às costas vezes sem conta. Sobre um homem que, durante anos, fez um país inteiro sonhar, acreditar, gritar, chorar, celebrar e sentir-se maior do que a sua própria dimensão. Sobre alguém que transformou a palavra “Portugal” em respeito, em medo para os adversários, em admiração para o mundo. E isso não se apaga. Não se discute. Não se relativiza. Agradece-se.
O Cristiano foi, é e será um dos maiores orgulhos da história deste país. E talvez o mais injustiçado também. Porque temos esta mania triste de maltratar os nossos. De exigir como se nos devessem tudo e agradecer como se não nos tivessem dado nada. De apontar o dedo no primeiro silêncio, no primeiro falhanço, no primeiro jogo menos conseguido, esquecendo décadas de entrega, de sacrifício, de ambição e de amor à camisola. Esquecendo quantas vezes ele apareceu quando Portugal mais precisou. Quantas vezes foi ele o grito de um povo inteiro. Quantas vezes foi ele a cara da nossa esperança.
E custa. Custa ver portugueses a falar de Cristiano Ronaldo como se ele fosse descartável. Como se a grandeza tivesse prazo. Como se a memória fosse curta. Como se aquilo que ele fez por esta Seleção, por esta bandeira e por este país pudesse ser apagado por noventa minutos, por um remate falhado, por uma expressão, por um gesto, por uma idade que passa para todos. Custa ver a comunicação social alimentar essa fome de ruído, de polémica, de desgaste, de desrespeito, como se não estivéssemos a falar de um dos maiores de sempre. Como se não estivéssemos a falar de um homem que fez milhões olharem para Portugal com admiração.
E talvez, no meio de tanto ruído, de tanta crítica fácil, de tanta ingratidão vestida de opinião, também seja preciso pedir desculpa. Desculpa por tantas vezes não sabermos honrar os nossos. (Continua nos comentários).