11/10/2021
Jantar de Lobitangas em 9 de Outubro de 2021
Antes de continuar, quero pedir desculpa aos que irão ver, e ver-se, nas fotos, uma vez que as mesmas não têm a qualidade que deviam, tudo fruto de uma desatenção minha, desde início. F**a aqui o meu sincero pedido de desculpas e o comprometimento de que, para a próxima, tentarei ser mais rigoroso.
Seguidamente, quero aqui deixar a minha muito sentida homenagem, à persistência e sentido de organização demonstrado pela São Pernadas, Tina Leite Velho e Zé Cunha. Correu tudo pelo melhor, sendo de realçar que nós, os utentes, não tivemos qualquer preocupação senão, sentar, palrar e comer. Muitos parabéns aos três.
Depois dos tempos negros por que todos passámos, primeiro em prisão domiciliária, depois açaimados na rua e locais públicos, como se de delinquentes se tratasse, este encontro foi altamente revigorante e bem mais prenhe de entusiasmo que os anteriores.
Sentimo-nos, de novo, normais!
Esta gente que foi uma diáspora – ou será agora que o é? – sempre soube confraternizar, como aprenderam na juventude vivida em pleno, num espírito de liberdade, essa que não voltarão a ter, sempre foi muito efusiva, muito quente no carinho, naquele que se sente como verdadeiro, excluindo, claro algumas pessoas que não sabem que vivem no planeta Terra…mas também já não vão a tempo. Ser distinto, elevado, não é ser snob, têm de se olhar, com os olhos da alma, para o espelho que, por certo terão. O chá é para se tomar devagarinho, mas desde a nascença!
Eu, na minha qualidade de “lobitanga em fase de teste”, aceite pela maioria dos ali presentes, por vezes tenho o fígado muito inflamado e, para ser minimamente polido com algumas pessoas, esboço um sorriso meio amarelo e digo: Pois!
Perdoar-me-ão estes desabafos, mas estavam aqui atravessados na garganta, e como podia se Covid, achei melhor expeli-los de imediato.
A alegria de todos foi muito prazerosa de se observar. Sentir um ambiente de genuína felicidade do reencontro, alguns por não se verem desde o início da pandemia, outros há muito mais tempo. O hiato compreendido entre a juventude o os dias de hoje é enorme, mas todos recordam com saudade os longínquos anos duma juventude vivida a todo o gás, agora revividos como se de há meia dúzia de meses se tratasse.
Vim de coração cheio da alegria de ver alguns amigos do coração, cuja amizade, graças à Zezinha ou Mizé, me apresentou e, com os quais pretendo manter uma relação de amizade forte e profícua.
Atrevo-me por isso, a regozijar-me por ter podido assistir, de camarote, à satisfação generalizada deste grupo de amigos de longa data.
Em cada lobitanga flameja uma alma sequiosa de reviver outros tempos, ainda que de forma fugaz, e em simultâneo sentem-se pairar os flamingos da memória colectiva daquela grande, ainda hoje, cidade.
“Deu-nos música” o Carlão que animou, como só ele o sabe fazer, estas horas de bem-estar.
Fico muito grato por a maior parte de vós, me aceitar como se vosso conterrâneo fosse, é para mim uma honra.
F**a aqui a muita homenagem a todos aqueles que aceitaram ser fotografados e, os que o não quiseram o meu agradecimento por terem tido a força de dizer que não o queriam ser.
As fotos são vossas, comentem, digam mal do fotógrafo, partilhar, façam aquilo que vos apetecer, solicitando eu unicamente que mantenha, cada um de vós a integridade de cada frame.
Até já
Mário Borralho