21/12/2017
CRONICA DA MONTANHA (V)
Como uma promessa, é uma promessa, e como bom pagador de promessas, de novo a voz de S João da Fraga, me chamou, bem la no alto do Geres, que o colocaram ao abrigo do vento agreste do Norte, intermináveis geadas e nevões brancos, qual algodão doce, em modesto palácio, de quatro paredes graniticas, como tudo que o rodeia, caiadas de branco, num altar simples em madeira de pinho.
Dezembro é bom tempo, para pagar promessas.
ELE sabia da minha visita e alisou-me o caminho, concedendo a Graça de um dia pleno de Sol, quente como o sangue que corria veloz nas veias, pelo esforço em trepar aquilo tudo.
Pelo caminho, baixava-me para apanhar um pedrinha para a colocar em todas as MARIOLAS que bordejam o trilho, em cada um deixava um pedido, uma prece, um desejo, uma oração, mesmos pelos "negativos"
Uso e costumes de todos os caminheiros e pagadores de promessas.
Baixinho, quase a medo, murmurava e falava também com o espírito da Montanha. Lá em cima o vento soprava forte de frio cortante, roguei que o amainasse, para terminar a minha missão.
E fui la acima, em sintonia com o UNIVERSO me senti dentro de mim, entreguei ao Santo, toda as minhas preces no singelo pedido de me conceder a luz do Caminho.
As vezes é bom ir lá acima a montanha.
-- Texto e imagem (Peregrinação)
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