29/12/2024
Festas do Solistício de Inverno Transmontanas
Festa de Santo Estêvão ou Festa dos Rapazes
Caretos de Grijó, Parada, Bragança
27 DE DEZEMBRO
Alvorada ronda (convite) dos mordomos; atuação dos caretos; corrida à rosca.
Toda a gente me pergunta que festa é esta em pleno inverno que se parece com carnaval, sem ser carnaval. Na verdade estas festas transmontanas, com máscaras de identidade específ**a do local, são festas que remontam a antigos rituais de fertilidade pagãos ancestrais, do mais profundo que nossa cultura tem.
Eu só fui um dos dias (graças a um amigo de longa data aficionado por estas nossas tradições João Pedro Almeida - Photographer), mas a festa estende-se por dois. Toda a aldeia f**a envolta neste misticismo e folia típica dos “caretos”, e ao som da tradicional gaita de foles e tambores, participam todos, jovens e mulheres incluídos.
A manhã começou com a ronda dos chamados “mordomos” que lideram o grupo de Caretos a visitar todas as casas que desejam receber a “visita” e todos são recebidos com comida e bebida. Uma espécie de “visita Pascal”, sem ser Páscoa e muito menos “religiosa” 🤣 e quando digo todos, quero dizer mesmo TODOS, visitantes e fotógrafos incluídos, que nestas terras não se conhece a exclusão, uma das características que mais me orgulha em ser transmontana.
A folia, o escárnio, as travessuras e as diabrices, são tónicas impreteríveis a uma festa de baixas temperaturas meteorológicas, mas em altas a nível de riso, boa disposição, familiaridade. Eu fui honrada com o empréstimo de um manto com máscara de careto durante o dia, mais uma prova do quanto estas “minhas gentes” acarinham quem os visita, tudo manualmente feito pelas mãos de costureiras da terra e um dos artesãos da aldeia (André Seca, a quem agradeço de coração).
Depois de um almoço em comunidade, em mesas corridas onde todos se sentam lado a lado e frente a frente, sem “máscaras”, para aquecer o estômago e o corpo, o dia terminou com as corridas a pares para ganhar a típica rosca, e outros “prémios” ofertados pela população aquando da visita da manhã. Eu não fui excepção, e desafiada pela fantástica Yoko (que vem do Japão todos os anos para estas festas) lá corremos as duas esta etapa.
Parti de coração cheio, por tudo o que aprendi neste dia, por todas as pessoas com quem partilhei conversas e risadas e muita parvoíce como eu tanto gosto.
Foi a minha primeira vez em Grijó de Parada, e já me sinto família, “louça da casa”, ficou sem dúvida a vontade de voltar para o próximo ano ❤️