23/09/2025
Fugir das cinzas para um passeio radical
Ao final da manhã, perto da hora de almoço, chega até à margem da barragem do Meimão o Mancha e a Tatá numa prancha de Padel de 5 metros e atracam ali mesmo, suscitando alguma curiosidade, pois trazem com eles vários coletes salva vidas, mais do que dois pares de pás de remo e algumas cordas. Pouco tempo depois adivinha-se o que virá a seguir. A Filipa e a Joana cada uma com uma cadeira de rodas vazias, descem a encosta e entregam-nas às mãos de Mancha e Tatá que as prendem à prancha. Lá no topo da encosta estão à espera os felizardos que irão passear pelas àguas calmas da barragem com a vista verde da serra da Malcata inctacta dos fogos que consumiram terras vizinhas como o Sabugal, Benquerença e Santo Estevão. O paraíso parecia estar ali , naquele pequeno vale.
Isaura Bernardinho de 77 anos, António Bernardino de 89 anos, Agustro Santos Pacheco de 95 anos, Augusto Dias Mendes 82 anos , José Branco Pereira, 81 anos, João Pais 79 anos .
É dia de Agosto, quente e sereno depois de uma semana infernal vivida por aquele grupo de seis idosos na sua aldeia que ardeu toda, a Aldeia de S. Jorge da Beira, na Covilhã. Utentes do Centro de Solidariedade Social de S. Jorge da Beira, vêm acompanhados de José Bernardinho, motorista e encarregado geral do serviço de manutenção, da Joana Albino, voluntária e da animadora Filipa Pinto.
Filipa Pinto, técnica Superior de animação socio-cultural da Covilhã trabalha na aldeia S.Jorge da Beira no Lar do Centro de Solidariedade Social e desenvolve projectos que promovem o envelhecimento activo e que ajudam a quebrar a solidão, potencializando a autonomia e funcionalidade dos utentes.
“Desenvolvemos actividades educativas, culturais, turisticas como esta que viémos fazer do stand up paddle e actividades de desnvolvimento comunitário. Para além disso fazemos as actividades no lar , mas privilegiamos sempre a parte das saidas ao exterior. Também desenvolvemos algumas actividades com alguns voluntários da região. É sempre importante o contacto da comunidade com os utentes do lar. “
É o segundo ano em que a Filipa leva os seus utentes à barragem do Meimão para desfrutar desta experiência, apesar de não ser perto, mas o resultado tem sido positivo: “Estes passeios são de lazer, mas acabam sempre por trabalhar um bocadinho a motricidade, a amplitude dos membros superiors, a força.”
A experiencia, diferente e radical, desafiante e acessivel, proporcionada pela Let’s Up – Stand Up Paddle Tours , de Mancha e Tatá que promovem aulas, passeios, e aluguer de Stand Up Paddle em todo o país com a componete Stand up Paddle adptado na Zona balnear do Meimão, Vila Velha de Ródão , e ainda Lagoa Comprida e Vale do Rossim na Serra da Estrela, que consiste numa prancha de cinco metros adptada onde são acopuladas cadeiras de rodas por forma a garantir a segurança necessária para a prática deste tipo de passeio
António Bernardino conta que não teve receio e de como gostou da experiencia de passear sobre uma prancha de Paddle. Todos foram da opinião de que a viagem da sua aldeia àquele local foi muito longa, mas todos concordaram o quão agradável foi chegar à zona balnear do Meimão e ver que o fogo nao tinha chegado ali: “ Vir aqui até se esquece da desgraça que lá se viu”.
Texto e Fotografia : Micaela Neto