03/03/2025
Quando a conheci, vestia chão de cerâmica envernizado e papel de parede debotado. Perfumada de m**o e despida de móveis, naquele primeiro encontro, pareceu-me tudo menos a casa onde queria viver. Mesmo disposta a pôr as mãos à obra para se aperaltar mais elegante, aquelas paredes caídas repeliam-me o interesse e arrancavam-me os sonhos pelas dobradiças.
A meio de um dia livre de planos, passei por ali e voltei a visitá-la. Tinha-me esquecido das expetativas algures, por isso, atravessei a porta de olhos vendados. Foi amor à primeira vista, o que senti pela minha primeira casa. Com uma reviravolta genuinamente inesperada, o pequeno T2 conquistou o meu coração aos saltos. De queixo caído, guinchei e agradeci mil vezes a quem a fez casa feita.
Dizem que as grandes paixões ardem em pavios curtos. Mas eu cá durmo há meses e continuo a preferir ficar por casa. Posso já não saltar aos guinchos quando atravesso a porta, nem deixar cair o queixo quando o sol arrasta a tarde pela cozinha, mas não há manhã em que não me veja atrapalhada para encontrar palavras que agradeçam vezes suficientes o prazer que é nunca acordar com os pés de fora.
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Projeto
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