05/11/2018
Dia mundial do cinema 🎬
Hoje é dia mundial do cinema...
Eu celebro o dia assim.🎬🎥👍
Que magia é esta que nos faz voar na imaginação, nos abraça de mundos que conhecemos só́ por ver em ecrã plano. Porque é que confiámos e alimentámos de paixão estas figuras virtuais que só́ nos tocam com os olhares?
Quem não gosta de saber o segredo de um filme? Aquela frase dita baixinho que a personagem nos conta sem a revelar aos outros companheiros de Acão?
No cinema vivem-se histórias e personagens decalcadas, similitudes que nos lançam a escada, nos levam ao interior do sonho. Um dos grandes desse mundo dos filmes, outrora de celuloide agora digital, o Orson Welles dizia: “O cinema não tem Fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho”. Já Chaplin acrescentava com sapiência: “Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação”.
Eu gosto de trazer de mão dada para fora da sala escura, as personagens que me tocam com essa magia única. Tal qual como quando leio um romance e dobro o cantinho da página, para poder revisitar um momento ou um lugar de palavras em realidade aumentada.
Para mim o cinema tem um toque de ritual (hoje perdido nos multiplex e no cheiro e o barulhento mastigar das pipocas). Como eu gostava que essa liturgia do sonho, essa celebração se recuperasse. As artes, quando genuínas, têm algo de transcendente. A música de que nós gostámos, é muito mais do que uma pauta, uma clave de sol e notas soltas que se combinam entre si. Uma pintura não é uma simples mistura impercetível de tintas. Um livro, não é um simples puzzle de letras e palavras. O cinema, pode ser isso tudo junto, um bailarico de sensações que cada um vai coreografando até onde a sua imaginação deixa ou exercita.
Dizia Federico Fellini: "O cinema é um modo divino de contar a vida, a forma mais direta de entrar em competição com Deus."
É por tudo isso, por haver filmes especialmente eternos e outros simplesmente filmes, sem qualquer magia que os distinga que eu vou visionando o que aparece de novo. Faço-o na esperança de encontrar, ser tocado por uma outra divindade para eu trazer de mão dada, depois da saída em força de um túnel de luz.
Também vos confesso que há́ muito que não assisto a esses “milagres”, vou visionando simples exercícios de magia com truques já vistos, formulas financeiras para mais ganhar. São filmes que deixam aquele travo de sabor requentado, são personagens a quem não queremos dar confiança ou levar para casa. Nesses eu não confio.
E lá vou partindo para nova viagem na sala escura. Continuo á procura de encontrar alguém virtual com quem faça o caminho de regresso a casa em amena cavaqueira, numa realidade que me surpreenda, me ensine e me diga coisas. É nessas viagens de ida e volta que continuo a vasculhar na arte do cinema. Muitas vezes vou a correr á boleia de um título, um nome, um ator. É frequente o regresso a casa sozinho, sem personagem que me acompanhe para dois dedos de conversa sobre a vida. Lá dou comigo a convocar os de sempre para o caminho, os clássicos – era a esses que o Chaplin, o Orson Welles ou o Fellini se referiam.
Sempre que vejo a lua cheia, fico parado a olhar. Guardo silencioso a esperança de ver passar na contraluz prateada, um miúdo de bicicleta a quem chamo...mas não me ouve: - “leva-me daqui também”.
Partilhem para que seja um dia maior.
Magia do cinema é isto.
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