25/06/2026
João Peres, da Liga dos Combatentes de Olhão, enviou-nos este texto-homenagem ao amigo e confrade Henrique André, que publicamos na Integra pela Valia de sentimentos nele integrados! ML
Homenagem póstuma
ao Amigo e Presidente do Núcleo de Faro da Liga dos Combatentes, Engenheiro Henrique André
Boa tarde. Com a devida anuência da Sra. D. Graça Magalhães e estimada Família, cumprimento fraternalmente, Autoridades militares, paramilitares, civis, religiosas, dirigentes da Liga dos Combatentes, da Delegação de Fuzileiros do Algarve, representação da Ordem dos Cavaleiros Templários, Antigos Combatentes, senhoras e senhores presentes no féretro do Amigo e Presidente do Núcleo de Faro da Liga dos Combatentes, Engenheiro Henrique André.
Prestar-se-lhe esta singela homenagem póstuma em nome dos Antigos Combatentes é o mínimo que se pode fazer pelo Amigo que partiu, mas a afirmação da vossa presença é o corolário da admiração, respeito, amizade que a sociedade farense e não só, teve pelo seu percurso de vida, cheio de comunicabilidade, de partilha e de altruísmo.
Henrique José Agostinho Martins André, filho de José Martins André e de Aurora de Lourdes Agostinho, nasceu a 31 de julho de 1953, na Freguesia da Sé, Concelho de Faro. Frequentou o ensino oficial nas Escolas Industrial e Comercial de Faro e Secundária Tomás Cabreira. Anos mais tarde, encontrando-se em Angola, foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório, ingressando no Curso de Oficiais Milicianos, em Nova Lisboa. Concluiu o curso com nota alta, foi colocado na Força Aérea e adstrito ao comando da 3.ª Companhia de Paraquedistas do Batalhão de Caçadores paraquedistas 21, na Região Militar de Angola, de 26 de janeiro de 1973 a 26 de novembro de 1975. Conheceu este território quente, exótico, com distâncias intermináveis a percorrer, picadas perigosas, emboscadas traiçoeiras, operações pela madrugada, perigo constante, adrenalina quase permanente, na mata ou em planície, onde a fauna e flora abundavam, bem como tribos nativas com seus costumes e dialetos. Terminada a guerra de guerrilha, quase no final de 1974, devido a vários focos dos movimentos de guerrilheiros que se digladiavam causando insegurança nas áreas urbanas e pondo em perigo os portugueses que se preparavam para partir para a Metrópole, o Tenente André interveio com os seus pares em diversas situações, citando-se apenas dois exemplos: em Vila Teixeira os portugueses estavam retidos por guerrilheiros, impedidos de deixar Angola, e ele pôs um ponto de ordem e assegurou o transporte dos mesmos até Luanda. Foi enviado com os seus homens para socorrer graduados e guardas do Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública de Angola cercados por guerrilheiros do MPLA que queriam apossar-se do armamento. Dialogando com o major deste movimento, disse-lhe que as armas eram do Exército Português e que iam escoltar pessoal e armamento. E assim foi. Naquele inferno soube ser duro quando necessário, ser persistente e inteligente para solucionar casos em que a vida humana esteve em jogo. A vida militar que terminou com o posto de Capitão Miliciano, ainda em jovem idade, ajudou-o a moldar e fortalecer a personalidade que na vida civil lhe permitiu firmeza, educação esmerada e um defensor de valores pátrios, sociais e humanos. De regresso à metrópole, decidiu inscrever-se no Instituto Industrial de Lisboa, onde tirou o Curso de Engenheiro Eletrónico. Autêntica fonte de inspiração e motivação, levou-o a abraçar a carreira docente onde a boa presença física, a agradabilidade na comunicação oral e uma primorosa escrita, captou facilmente o interesse de alunos na explanação de matérias. Noutra faceta profissional, assumiu o papel de empresário na área da construção civil, com sucesso.
Casado com a Senhora Professora D. Graça Magalhães, proporcionou-lhe uma feliz relação conjugal, totalmente retribuída por tão dedicada esposa e abençoada com uma descendente e, mais tarde, no papel de avô carinhoso e dedicado para com um neto e uma neta.
Era Cavaleiro Templário da Ordo Supremus Militaris Templi hierosolimitani universalis; confrade na Confraria dos Cavalheiros e confreiras da Tábua Quadrada e membro do Grupo Coral Segundo Capítulo.
Eleito Presidente do Núcleo de Faro da Liga dos Combatentes em 2018, manteve-se à frente até ao presente, com dinamismo e objetividade, deixando um legado importante, do qual se destaca: Criação da Delegação da Liga dos Combatentes na Vila de S. Brás de Alportel, bem como no apoio e acompanhamento na construção do Monumento aos Militares deste Concelho na Primeira Grande Guerra, Estado Português da Índia e Guerra do Ultramar, sob a responsabilidade da Câmara Municipal e Junta de Freguesia de S. Brás de Alportel; abertura de Delegações idênticas no Montenegro e Santa Bárbara de Nexe no Concelho de Faro, ficando em continuado uma em Albufeira. Cerimónias em datas históricas, promotor de palestras e conferências com eruditos convidados, fizeram parte da sua cuidada agenda. Na sua dinâmica presidência, o universo de cerca de 280 sócios no Núcleo de Faro, aumentou para 580, revelador da agradabilidade encontrada, motivadora. para que Antigos Combatentes se associassem. João Peres