02/11/2025
Então que número é este?
Sim, sei contar, 106... E tem uma particularidade, é o número da porta da sala de fotocópias ou como por norma conhecida, sala Xerox, do edifício principal da Lisnave. É engraçado como este estaleiro não teve uma ligação direta mas sempre fez parte do meu dia a dia desde p**o.
Lembro-me de ouvir os trabalhadores através da janela do meu quarto (sótão) pois no silêncio da noite e com o vento na direção certa, era certinho que tinha companhia nas noites de verão. Claro que não percebia nada do que diziam, estavam longe, mas faziam companhia com tanta gritaria e vernáculo, que naquela altura nem sempre compreendia! Nem sempre... aprendi algumas!!!!
Outras memórias que tenho, são os passeios longos com os meus tios, que algumas vezes passávamos pela vedação da Lisnave, em que quase tinha um torcicolo para ver os navios! Lembro-me de ver a azáfama diária de navios a entrar, trabalhos a acontecer, tudo mais!
Uma memória peculiar que tenho quase a cores na minha mente, foi de um dia um navio, provavelmente petroleiro, vermelho, muito gasto, sujo, estava na doca mais perto da vedação com um andaime das obras literalmente pendurado com cordas e avé Marias, a uma altura absurda, com dois trabalhadores lá mal amanhados... nos dias de hoje, impensável, mas nada como a filosofia tuga do desenrasque para resolver problemas... Mais tarde dei por mim a explorar as instalações já abandonadas, tirar fotos daquele espaço já em total destruição, e nesses contrastes, ficam as memórias. Hoje no meu estúdio tenho a sorte de ter resgatado a minha bancada de trabalho, um antigo estirador que perdeu os pés de ferro e deixaram esquecido o tampo de madeira, com uma chapa com a seguinte inscrição "papelaria Fernandes 1936", a cadeira de estirador com a chapa por baixo a dizer Margueira e mais uns números pelo meio e outros elementos, nomeadamente o número da porta da sala Xerox que iriam ficar esquecidos se ninguém os tivesse "salvo". Por mera curiosidade, também se tornou atualmente a minha zona de treino, já que todos os dias vou correr para a avenida da Lisnave! Sou assim, gosto de coisas velhas, com história... De preservar o seu legado nem que seja nestas pequenas coisas!
Ficam as fotos do móvel que finalmente acabei (reciclado de outros móveis, mas adaptado às minhas necessidades)
Obrigado e bom domingo