10/05/2026
Há uns anos, eu mandei uma mensagem para a minha mãe falando sobre uma memória olfativa um tanto inusitada: o cheiro de água sanitária (lixívia em Portugal).
Pode parecer brincadeira, mas a memória tem dessas coisas. Para mim, esse cheiro tem a forma de amor. Lembro que no dia eu tinha feito uma limpeza na minha casa e usei o produto e esse cheiro forte ficou impregnado nas minhas mãos, daí foi quando eu voltei no tempo.
Voltei para o momento exato em que a porta de casa abria no fim do dia e ela nos envolvia num abraço. Era esse o cheiro que estava nas mãos dela. Mãos cansadas de quem trabalhava duro o dia inteiro, mas que chegavam sempre prontas e cheias de afeto para cuidar de nós. Mãos que, mesmo marcadas pelo trabalho, sempre vinham carregadas de coisas das idas ao mercado no caminho de volta para casa, transformando o cansaço na nossa maior alegria.
Hoje, eu olho para essas mesmas mãos, para esse mesmo olhar, mas através das minhas lentes.
A vida deu voltas que eu nem ousava sonhar. Nunca me passou pela cabeça que a mulher que limpou os obstáculos do meu caminho com tanto suor, que construiu o nosso futuro em silêncio, um dia se tornaria a protagonista do meu portfólio. A minha maior musa.
A fotografia me ensinou a procurar a beleza e a verdade. Mas a verdade é que a história mais bonita que eu alguma vez poderia fotografar sempre esteve em casa. Mora na sua coragem, nesse abraço que sempre foi o meu refúgio, e na força gigantesca que você teve para sonhar por mim e pelo meu irmão.
Mãe, que privilégio é poder eternizar quem você é.
Este registo é o meu “obrigado”. Por cada sacrifício invisível, por ter sido o nosso alicerce e por nos permitir voar.
Feliz Dia das Mães para a mulher da minha vida.
O meu maior orgulho, ontem e hoje, é ser seu filho!