14/08/2026
Roupa seca, tralhas arrumadas e novamente estrada. Saí de Lugo para sul, sem saber ainda que este acabaria por ser um dos dias que mais me f**ariam na memória. Em Portomarín, o Miño estava tão baixo que a água deixou aparecer aquilo que normalmente esconde. As ruínas da antiga vila, o velho caminho, as marcas de uma vida que ficou para trás. Há qualquer coisa de inquietante em ver o passado voltar à superfície.
Depois veio a Ribeira Sacra. A estrada foi-se apertando entre a montanha e o rio, as curvas sucedendo-se umas às outras, e a Vespa levou-me cada vez mais para dentro daquele silêncio. E então o Sil apareceu. Lá em baixo, muito mais pequeno do que parece quando estamos junto dele, a desenhar curvas impossíveis no meio da montanha. Fiquei parado algumas vezes sem saber muito bem o que fotografar. Há paisagens que não cabem numa fotografia.
Quando cheguei a Ourense, o dia ainda não tinha acabado. Deixei a Vespa e fui andar pela cidade sozinho, já com outra luz, outro ritmo. Talvez seja isso que mais gosto nestes dias, chegar cansado e ainda ter vontade de sair outra vez para descobrir o que há do outro lado da esquina!
Dia 5 · 05 agosto · Lugo - Ribeira Sacra - Monforte de Lemos - Parada de Sil - Ourense - 235km