17/12/2025
O Natal em casa da minha avó tem um sabor que não se explica. Sabe a mimo — daqueles que não se compram, é daqueles que se servem à mesa sem ninguém pedir. A lareira acesa traz um conforto que nenhum casaco consegue dar.
A família junta-se sempre na mesma sala. Os primos lutam pelo melhor lugar ao pé da lareira e pela manta mais fofinha. As conversas repetem-se ano após ano, como se fossem parte do menu: histórias que já sabemos de cor, mas que nunca nos cansamos de ouvir. E, inevitavelmente, depois de prometermos que este ano vamos escolher outro filme… acabamos todos no sofá, a ver Sozinho em Casa pela milésima vez, rindo nos mesmos momentos, a dizer as falas antes dos atores. O avô, sempre paciente, comenta: “Esse outra vez? Vou dormir a sesta.”
A mesa enche-se devagar. Na casa da minha avó, começamos sempre com canja e, depois, chegam as sobremesas. É nas sobremesas que percebemos o que torna o Natal tão especial: ninguém consegue fazer igual à avó. Ela diz que nos dá a receita, mas falta sempre qualquer coisa que não está escrita em lado nenhum — talvez seja o toque, talvez seja o amor, talvez seja o tempo… talvez seja simplesmente ela.
No fim, percebemos sempre a mesma coisa: nenhuma prenda debaixo da árvore vale mais do que isto. O que realmente importa está sentado à nossa volta, a rir, a discutir, a partilhar migalhas de bolo. É essa companhia que faz do Natal aquilo que ele é — e que nos faz querer voltar, sempre. É nestes detalhes que o Natal mora: no mimo sem motivo, nas tradições que não precisam de explicação, e nessa sensação boa de que, por mais que o ano mude, aqui tudo continua igual. E é isso que aquece o coração. Há coisas que só acontecem no Natal.
Das memórias da Joana, na casa da sua avó ✨🤍
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