João Versos Roldão

João Versos Roldão Photographer . Artist . Collector of Memories

 - Festival V***r 2025, Museu Nacional FerroviárioHá concertos que não procuram agradar.Procuram acordar.No  2025, Selma...
02/03/2026

- Festival V***r 2025, Museu Nacional Ferroviário

Há concertos que não procuram agradar.
Procuram acordar.

No 2025, Selma Uamusse trouxe mais do que música. Trouxe história. Trouxe origem. Trouxe uma voz que carrega deslocações, pertenças e fraturas que não cabem em discurso neutro.

Entre locomotivas adormecidas e estruturas de ferro, a sua presença tornou-se afirmação identitária. Não como rótulo, mas como corpo que canta a partir de uma memória que é também política. Cada canção parecia lembrar que identidade não é ornamento cultural. É posição.

A fronteira dissolveu-se.
Entre palco e chão. Entre quem canta e quem escuta. Entre passado e presente.

O concerto deixou de ser apresentação. Tornou-se gesto coletivo. Um espaço onde a energia não vinha apenas do som, mas daquilo que ele convoca.

Fotografar ali foi acompanhar essa tomada de lugar. Não ilustrar um espetáculo, mas registar o instante em que a voz se torna território.

Há vozes que se escutam.
Outras reclamam espaço.

©️ João Versos Roldão | Festival V***r | 2025

Não há neutralidade quando o conflito já entrou na sala.Há espetáculos que não querem ser observados.Querem ser atravess...
21/01/2026

Não há neutralidade quando o conflito já entrou na sala.

Há espetáculos que não querem ser observados.
Querem ser atravessados.
Class Enemy constrói-se nesse lugar de confronto permanente: corpos em espera, vozes que ocupam o espaço antes de qualquer autoridade chegar, uma sala que parece escola mas funciona como campo de ensaio para o conflito.

Desde o início, o pedido do encenador .manueltur foi claro: um registo integralmente a preto e branco, sujo, granulado, com arrastamento. Uma imagem que não organizasse o caos nem procurasse conforto. Fotografar assim foi aceitar o tremor, o erro, a perda momentânea de controlo. Deixar que a imagem respirasse o mesmo ruído da cena.

Estas fotografias cruzam dois momentos de ensaio e de processo de criação: quando nada estava ainda definido e quando tudo já pesava. Entre um e outro, não há linha reta. Há acumulação. Há desgaste. Há insistência.

Dar imagem a Class Enemy não foi torná-lo legível.
Foi permanecer no desconforto.
E aceitar que, por vezes, a fotografia também precisa de falhar para dizer a verdade.

encenação Manuel Tur tradução Miguel Graça cenografia Ana Gormicho figurinos Sara Pazos desenho de luz Cárin Geada desenho de som e sonoplastia Joel Azevedo direção de produção Joana Neto apoio ao projeto Hugo Almeida apoio ao movimento .momentum interpretação , , , Gonçalo Fonseca, .reis.942 , , .gio_ coprodução 11Zero2, Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, ,

©️ João Versos Roldão | Manuel Tur | 2026

📍Expresso Transatlântico — Festival V***r Museu Nacional Ferroviário, EntroncamentoHá concertos que não se fazem só no p...
02/12/2025

📍Expresso Transatlântico — Festival V***r
Museu Nacional Ferroviário, Entroncamento

Há concertos que não se fazem só no palco, fazem-se no espaço inteiro.
O de Expresso Transatlântico, no Festival V***r, aconteceu no meio da nave do Museu Nacional Ferroviário, rodeado por locomotivas que guardam séculos de movimento.

Entre aço, ecos e máquinas gigantes adormecidas, a música ganhou outro peso.
Cada ritmo parecia acender carris invisíveis.
Cada voz fazia vibrar a estrutura.
A nave respirava como se o tempo inteiro estivesse em marcha lenta, mas viva.

E entre a luz, o metal e o som, algumas destas imagens seguiram o próprio impulso da banda:
arrastadas, cheias de grão, sujas no melhor sentido, como se a fotografia também dançasse com o ritmo deles.

Uma viagem que não se vê só com os olhos, mas com o corpo inteiro.

© João Versos Roldão | Festival V***r | 2025

📍Clamor — La Nuit du CirqueFábrica das Ideias da Gafanha da NazaréHá performances que não procuram elevar o corpo. Procu...
28/11/2025

📍Clamor — La Nuit du Cirque
Fábrica das Ideias da Gafanha da Nazaré

Há performances que não procuram elevar o corpo. Procuram ouvi-lo.
Clamor, da .monteny , é exatamente esse lugar.
Um diálogo entre um sino pesado, uma corda vertical e um corpo que tenta habitar a tensão entre os dois.

Aqui, não há transcendência.
Há esforço.
Há negociação.
Há uma escuta contínua entre gravidade e suspensão, entre impacto e reverberação.

O dispositivo é metálico, rígido, inflexível.
O corpo é orgânico, vulnerável, insistente.
Da fricção entre ambos nasce som, ritmo e presença.
Uma coreografia feita de contrapeso, desistência, impulso e retorno.

Fotografar Clamor foi acompanhar essa desigualdade viva.
O momento em que o peso não é obstáculo, mas linguagem.
E onde o gesto se torna uma busca por equilíbrio num mundo que insiste em fugir.

Estreia no LEME - Circo contemporâneo – Ílhavo:
🗓️4 dez — Estreia - Museu Marítimo de Ílhavo
🗓️5 dez — Museu Marítimo de Ílhavo
🗓️6 dez — Museu Marítimo de Ílhavo
🗓️7 dez — Museu Marítimo de Ílhavo
🗓️13 dez — Claustros do Convento de Santo António, Pombal
🗓️14 dez — Claustros do Convento de Santo António, Pombal

© João Versos Roldão | Bússola| 2025

Quis saber quem sou - Teatro Nacional D. Maria IIHá frases que mudam um país.“Quis saber quem sou” foi uma delas. A prim...
27/11/2025

Quis saber quem sou - Teatro Nacional D. Maria II
Há frases que mudam um país.

“Quis saber quem sou” foi uma delas. A primeira semente de liberdade lançada no ar na noite de 24 de abril de 1974.

Uma canção de amor que, sem querer, acendeu uma revolução.

Nesta peça-concerto, essa memória retorna não como nostalgia, mas como pergunta.
Como é que um verso de há 50 anos cabe hoje na voz de quem nasceu depois da liberdade?
Como é que o corpo de hoje carrega as palavras que abriram caminho ao amanhã?

Em palco, jovens intérpretes cantam, contam e revivem a música que fez história e ao fazê-lo, criam outra história: a deles, a nossa, a que insistimos em construir.

Fotografar Quis saber quem sou foi acompanhar esse encontro entre passado e futuro, entre a canção que iniciou um país e os corpos que o continuam.

© João Versos Roldão | Teatro Nacional D. Maria II | 2025

The Weight of Water, Festival dos Canais, AveiroHá espetáculos que não acontecem apenas diante de nós. Acontecem connosc...
25/11/2025

The Weight of Water, Festival dos Canais, Aveiro

Há espetáculos que não acontecem apenas diante de nós. Acontecem connosco.
The Weight of Water é um deles: uma escada flutuante, seis corpos, dois músicos, e um risco constante que nunca deixa de respirar.

Na água, tudo treme. Tudo se inclina. Tudo depende do outro.
Um passo em falso e o mundo inclina-se. E a escada responde com uma franqueza brutal.

O espetáculo fala de crises, de promessas vazias, de sistemas que vacilam… mas também de cooperação, vulnerabilidade e resistência.
E diante desta instabilidade coreografada, o público sente na pele aquilo que tenta compreender todos os dias: o peso de um futuro incerto.

Fotografar The Weight of Water foi captar esse ponto de tensão. O instante em que o equilíbrio deixa de ser garantido e passa a ser conquista.

© João Versos Roldão | La Casa Nostra | Inspiring visions. | 2025

📍CONCORDÂNÇAS —  ⠀Há espetáculos que nascem de encontros. Outros, de ritmos partilhados.CONCORDANÇAS vive nos dois: uma ...
21/11/2025

📍CONCORDÂNÇAS —

Há espetáculos que nascem de encontros. Outros, de ritmos partilhados.
CONCORDANÇAS vive nos dois: uma celebração física onde o malabarismo se encontra com as danças e músicas tradicionais, reinventando-as no corpo e no movimento.

A criação aconteceu em Pombal, numa noite de circo e tempestade. Trovoadas que rasgavam o céu enquanto os gestos guardavam memórias antigas. O balanço da luz tornava-se, por vezes, um diálogo com o vento.

Tive oportunidade de fotografar a performance no contexto da La Nuit du Cirque, e registar a relação entre movimento, precisão e herança cultural que atravessa a peça.

Entre objetos que ganham vida e passos que se enraízam no chão, CONCORDANÇAS constrói uma linguagem feita de escuta, ritmo comum e memória partilhada.

E em dezembro, chega ao LEME - Circo contemporâneo, em Ílhavo, com quatro sessões na Casa da Cultura:
📅 4 dez — 21:00
📅 5 dez — 14:00
📅 6 dez — 12:00
📅 7 dez — 16:00

Fotografar Concordanças é tentar captar essa vibração invisível. O ponto onde tradição e contemporaneidade se encontram e, por instantes, respiram ao mesmo tempo.

©️ João Versos Roldão | Bússola | 2025

“A Meio do Tejo” - Terra AmarelaHá projetos onde o espetáculo é apenas o vértice visível de algo muito mais profundo.A M...
19/10/2025

“A Meio do Tejo” - Terra Amarela

Há projetos onde o espetáculo é apenas o vértice visível de algo muito mais profundo.

A Meio do Tejo foi isso: um território inventado entre margens, pessoas e ideias. Uma construção feita de perguntas políticas, poéticas, silenciosas.
Acompanhei este processo quase desde o início. Primeiro o audiowalk, onde o rio se ouvia mais do que se via. Depois os ensaios, ainda no tempo da dúvida. E por fim o espetáculo onde o país invisível, aquele que vive escondido entre pensamentos, corpos e metáforas, se deixou ver por instantes.

Estas imagens não são uma cronologia. São um eco.
Do que se disse, do que se pensou, do que ficou no ar depois de tudo ter passado.
Estar presente aqui foi mais do que registar. Foi caminhar junto, com escuta.
E se havia um país invisível no meio do Tejo, talvez estas imagens o tenham ajudado a tornar um pouco mais visível.

Às vezes o teatro é isso: um mapa para reencontrar o que esquecemos.

©️ João Versos Roldão | TerraAmarela | 2025

“Lamento” -  Houve um silêncio entre folhas, mulheres e palavras.⠀Lamento não foi um espetáculo: foi um trilho. Uma corr...
03/10/2025

“Lamento” -

Houve um silêncio entre folhas, mulheres e palavras.

Lamento não foi um espetáculo: foi um trilho. Uma correspondência entre geografias, tempos e solidões. A caminhada como gesto estético, filosófico e íntimo.

Acompanhei este processo como quem escuta o sussurro das copas: entre o peso dos corpos e a leveza do pensamento. Entre o som real da floresta e a voz da , que lhe respondeu em frequência emocional.

Estas imagens são fragmentos de presença. No ensaio, no percurso, na delicadeza com que a dramaturgia atravessou a paisagem.

Fotografar aqui não foi observar de fora. Foi andar junto. Com tempo.


©️ João Versos Roldão | UMColetivo | 2025

📍Companhia Pia – Festival dos Canais, AveiroHouve um momento, este julho, em que as ruas de Aveiro deixaram de ser apena...
24/07/2025

📍Companhia Pia – Festival dos Canais, Aveiro

Houve um momento, este julho, em que as ruas de Aveiro deixaram de ser apenas caminhos e tornaram-se pele.

Com CARICATURE, a regressou à cidade com um cortejo que é teatro e espelho, riso e crítica, corpo e metáfora. Uma performance onde a caricatura não exagera. Revela.

Entre acrobacias e gestos grotescos, o público foi arrastado com espanto e ironia pelas veias do centro histórico. Cada esquina era uma moldura. Cada pausa, uma pergunta deixada no ar.

Estive lá para ver. Para registar. Para guardar essa metamorfose efémera que só a rua permite.

Fotografar arte em movimento não é apenas congelar o instante. É escutar o espaço e traduzi-lo em imagem.

©️2025 João Versos Roldão | La Casa Nostra | Festival dos Canais

🎉 Um mergulho na tradição antiga com energia contemporânea.Em dezembro de 2023, acompanhei a Festa da Santa Bebiana, no ...
12/07/2025

🎉 Um mergulho na tradição antiga com energia contemporânea.

Em dezembro de 2023, acompanhei a Festa da Santa Bebiana, no Paul (Covilhã): fogueiras, procissões de chocalhos, vinho, alegria e devoção popular num arraial que mistura fé e festa autêntica. Uma celebração rural com milhares de visitantes, mantendo viva a identidade da transumância de inverno e da jeropiga tradicional.

Essas imagens capturam o calor (literal e emocional!) de um evento que transpira cultura, tradição e comunidade.

🇬🇧
🎉 A dive into ancient tradition with modern energy.

In December 2023, I photographed the Santa Bebiana Festival in Paul (Covilhã): bonfires, ringing bells, wine, devotion, and authentic folk celebration blending faith and festivity in a rural gathering attended by thousands. This annual event honors winter transhumance and celebrates the local drink — jeropiga — in a setting full of communal warmth and identity.

These shots capture the literal and emotional heat of a festival rich in culture, tradition, and togetherness.

©️2023 João Versos Roldão | Casa Povo Paul

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Águeda

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