08/06/2026
Ó tempo, velho artesão das lembranças,
tu que levas em tuas mãos delicadas os dias que já não podemos tocar, também és aquele que nos ensina que o amor não conhece despedidas definitivas. Há ausências que doem como o silêncio de uma casa outrora cheia de vozes, risos e abraços. Há nomes que ainda florescem na memória como jardins que nenhuma estação é capaz de apagar.
Sentimos falta daqueles que partiram. Falta da presença, do olhar, dos gestos simples que davam contorno aos nossos dias. E, por mais que os anos avancem, há saudades que não diminuem; apenas aprendem a morar em outros lugares dentro de nós.
Mas tu, tempo generoso, também nos concedeste a bênção de permanecer. De ver os que ficaram crescerem, atravessarem tempestades, encontrarem forças onde antes havia apenas fragilidade. Permites que testemunhemos a coragem de seguir, a beleza de amadurecer e a delicada arte de reconstruir a alegria sem esquecer o amor.
E assim, entre perdas e permanências, compreendemos que honrar aqueles que partiram talvez seja viver de maneira mais inteira. É cultivar a bondade que admirávamos neles, oferecer ao mundo a ternura que deles recebemos, transformar a saudade em gesto, a lembrança em presença e o amor em legado.
Que sejamos, então, a mais bela continuação daqueles que amamos. Que nossa melhor versão carregue algo de cada um deles. E que o tempo, longe de apagar suas marcas, as torne ainda mais profundas, até que possamos reconhecer em nossos próprios passos os ecos daqueles que ajudaram a nos tornar quem somos.
Porque o amor verdadeiro não termina quando alguém parte. Ele encontra novos caminhos para permanecer.