08/12/2017
Criação: Germana brito
Performers: Lilian Julião, Têh Liberato, Yana Brena, San Lenon.
Fotografia: Thamila Santos
“- Quando eu era menina [...] quando a gente plantava veio os fazendeiros e desmataram tudo nosso, nossa plantinha, árvore. E não cresceu mais nossa planta quando o trator passou em cima de nossa planta. veneno na planta.”
- Você lembra?
- E todas as crianças ficaram doentes, quando passaram veneno em cima da água.”
(Diálogo com Joslaine Mendes Rosati, 10 anos da comunidade indígena Guarani Kaiowá retirado do curta-metragem Foi Veneno, direção Kátia Brasil; realização Amazônia real – 2017)
Agrotóxicos são toda substância capaz de controlar pragas que possam oferecer riscos, ou incômodos às populações e ao meio ambiente. Podem ainda serem chamados de misturas destinadas a ação de matar diretamente insetos, ácaros, roedores, fungos, ervas daninhas, bactérias. Pesticidas, biocidas, suicidas, agroquímicos, sujeira, veneno, morte, dor de cabeça, dor no estômago, sonolência, paralisias, câncer, eliminador de índios.
Nuvens de veneno, céu amarelo doença, tomates vermelho irritação. É do corpo da floresta que precisamos falar, desse povo de pele barro, cabelos pretos e que não nasceram em uma terra sem árvores. Nós os brancos nos empenhamos em devasta-los, degrada-los, nossa principal palavra é morte. Bebemos água de garrafas, comemos produtos de latas e frutas com casca e interior venenoso. Enquanto eles dançam torés milagrosos, ouvem os pássaros, mastigam os alimentos diretamente do mato. Não contabilizam papel pintado.
Imersos na batalha indígena, o trabalho se caracteriza por uma performance denuncia. É perante a exploração do agronegócio, da luta pela demarcação de terra, e da importância de criar uma rede de diálogos com a população sobre a situação dos Guaramis-Kaiowás e tantos outras comunidades indígenas que sofrem com a questão latifundiária no Brasil. A proposta se fixa após o conhecimento das constantes denúncias indígenas sobre os ataques com agrotóxicos em suas terras Amambaipeguá, em Caarapó, no Mato Grosso do Sul. Os ataques partem de donos de fazenda, que querem as terras indígenas ainda não demarcadas pelo Governo Federal.
Atrelada ao ritual Kuarup, dos índios Xingus que se caracteriza por homenagear os índios mortos em uma despedida, ou ainda o encerramento do período de luto. Kuarup seria segundo o Museu do Índio uma celebração para a morte. Deste modo, a performance irá invocar provocar, denunciar e referenciar os índios mortos, e perseguidos em suas terras.