03/08/2026
Sempre que edito um ensaio, volto para o momento em que cada fotografia foi feita. É quase como reviver cada detalhe, lembrar do que eu estava sentindo enquanto apertava o obturador. Existe uma conversa íntima entre a obra e o artista.
Durante o ensaio da Fran e do Murilo, por algum motivo, comecei a cantar baixinho um trecho de um hino do Trazendo a Arca:
“Se o mar me submergir, Tua mão me traz à tona pra respirar.”
Naquele momento eu nem entendi o porquê. Talvez tenha sido o clima. O mar estava bravo, o vento forte e a chuva insistia em ir e voltar. Aquela canção me trouxe paz. Ela silenciou o que estava ao redor e me fez continuar olhando para o que realmente importava: eles.
Foi somente editando essas fotografias que tudo fez sentido.
As primeiras imagens do ensaio foram feitas mais cedo. Ainda havia sobre as folhas aquele brilho delicado que lembra o orvalho da manhã. Uma cena tranquila, quase silenciosa. Depois vieram o mar revolto, o vento e a chuva. E percebi que aquele ensaio era uma metáfora do casamento.
Porque a vida a dois também atravessa estações. Existem dias de calmaria e dias em que as ondas parecem altas demais. Mas quando Cristo permanece entre os dois, a tempestade deixa de ser o centro da história. O olhar continua encontrando o outro. A esperança permanece firme. E depois de toda noite difícil, Deus sempre faz nascer uma nova manhã, trazendo novamente a calma, como o orvalho que repousa sobre as folhas.
Fran e Murilo, talvez esse ensaio nunca tenha sido apenas sobre o mar. Talvez ele sempre tenha sido sobre fé. Sobre permanecer olhando um para o outro, mesmo quando tudo ao redor parece querer desviar os olhos.
E eu já aguardo, com muita alegria, o privilégio de fotografar o próximo capítulo dessa linda história de vocês.