11/07/2026
Ninguém espera que o abebé vença uma guerra.
Lâmina que não corta, aço que não queima, espelho que não rasga. Não, ninguém espera que vença o abebé da iyabá.
Os espertos correm enquanto há tempo, os tolos nem conseguem enxergar o golpe que, silencioso, corta para dentro. E no silêncio.
A grandeza do espelho que não nos tira sangue está, exatamente, no seu processo de nos fazer entender que as nossas guerras são primeiro com nós mesmos. E, por isso, ninguém passa ileso ao reflexo desse espelho.
Oxum sabe como ninguém que os nós são desfeitos primeiro por dentro, pra dentro, só depois a gente enxerga do lado de fora tal qual a pétala sadia que enfeita os nossos olhos.
Guardo primeiro a lição para mim - sempre - porque, daqui a pouco, o reflexo se volta à minha cara e eu não quero me assustar com o que vejo. Quero me reconhecer em cada traço e largura, quero ser eu um velho conhecido meu e deixar que o tempo siga tranquilo o meu ijexá.
O abebé não reflete meu rosto. Reflete quem sou.
“Cuida das tuas águas, moço”, eu escuto. Escuto e obedeço.
(Texto: Omi Tonã)