23/04/2025
Os santos católicos são, geralmente, pessoas reais, cuja vida foi considerada exemplar e que, depois de mortos, promoveram milagres comprovados por meio de histórias registradas para atestar seu poder junto a Deus.
As histórias do homem que teria se transformado em São Jorge, apesar de muito conhecidas pela maioria dos brasileiros, são alvo de muitas especulações. Elas envolvem a luta com uma figura mítica, um dragão, falam sobre a existência de um cavalo (que não era um animal comum na época em que o santo teria vivido) e as imagens às quais ele é mais comumente associado trazem um homem com roupas que são de uma época beeeem posterior à que ele teria vivido de fato.
Várias dessas “confusões” provavelmente aconteceram porque as narrativas sobre a sua vida foram criadas na Idade Média (cerca de 900 anos depois da sua morte).
Foi justamente essa pouca “base histórica comprovável” que fez com que a Igreja, da década de 1960, durante o Concílio Vaticano II, definisse que o culto a esse Santo não seria mais obrigatório.
Isso não quer dizer que ele tenha sido “descanonizado”: ele só parou de ser cultuado de forma “oficial”.
Mas pra quem vive no Rio de Janeiro, essa sim é uma história que pode parecer fantasiosa e irreal.
O dia 23/04 (dia atribuído à morte desse homem que pode nem ter existido de fato!) é um dia de grande festa: dia de sair de casa de roupa vermelha, dia de acender velas na pequena Igreja e, com muita devoção, pedir a interseção do deus guerreiro para suas causas e suas vidas.
E porque as roupas e as cores vermelhas em abundância? Porque, por aqui, São Jorge é Ogum: filho mais velho de Odùduà, o fundador do Ifé, orixá da guerra e da metalurgia, um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos.
Um santo/orixá que, como roga a sua oração, é responsável pela nossa proteção:
“Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge
Para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem,
Tendo mãos não me peguem,
Tendo olhos não me vejam,
E nem em pensamentos eles possam me fazer mal.”