27/05/2026
Aos 89 anos, Dona Maria de Lurdes Siqueira vive com leveza e propósito. Alimenta-se apenas de orgânicos. Ela mesma faz sua farinha, seu pão, sua chimia. E quando quer um salgadinho? Prepara a massa e frita. Uma delícia.
Seu apartamento é um brinco. O verde das árvores entra pelo janelão da sala. É ali, cercada de natureza, que ela constrói seus dias com autonomia.
Começou a trabalhar aos 12 anos, em uma fábrica de chocolate centenária. Aprendeu o valor do trabalho e da dedicação. Depois, veio a costura. Ótima costureira, ajudava nas despesas. Mas não foram apenas roupas que ela costurou. Dona Maria costurou acolhimento. Era um porto seguro para mulheres que precisavam de teto e recomeço. Abriu as portas. Apenas acolheu.
Sobre o filho, João, ela diz: "Ele é como um anjo para mim." Quem a vê falar assim entende: aquele anjo aprendeu a cuidar com quem sempre cuidou de todos.
Dona Maria não tem medo da morte. Justamente por isso, gosta de viver. Mesmo com artrose no joelho, não para. Faz academia. Move-se. Cuida-se.
O sonho que não realizou foi estudar. Mas não guarda amargura. Transforma isso em conselho.
Quando a enchente atingiu sua região, ela pegou a lã doada pelas amigas e fez botas de crochê e roupas de tricô para crianças desabrigadas. A mesma mão que faz pão, que costura, que acolhe — também aquece quem está no frio.
No dia 20 de fevereiro, Dona Maria completará 90 anos. Nove décadas de história, trabalho, generosidade e força silenciosa. Ao seu lado, como ela diz, um anjo chamado João.
E para as gurias e mulheres de hoje, ela deixa esta mensagem:
"Estudem. Gostem de trabalhar. Enfrentem as batalhas — porque vocês vencerão."
Dona Maria não é apenas uma idosa de 90 anos. Ela é um símbolo de que envelhecer com saúde é possível. De que acolher o próximo é um ato de grandeza. E de que a verdadeira força feminina não grita — ela faz. Calmamente. Todos os dias.