27/05/2025
Uma breve história sobre esta foto.
Eu nunca havia visto neve. Na verdade, não me lembro de ter visto uma árvore desnuda na vida. As estações do ano no Brasil e, em especial, São Paulo, não são exatamente definidas. Existe um motivo para a cidade ser chamada de “terra da garoa”. O inverno paulistano pode dar as caras em janeiro, do nada. Aqui, por precaução, você sai de casa preparado pra sol, chuva e ventania, tudo no mesmo dia e em qualquer mês. Mas não neva, nem no frio mais rigoroso. Em São Paulo você congela até os ossos com um tempo úmido de doer na alma, mas neve? Jamais.
Eis então que estou em Nova York, em janeiro de dois mil e alguma coisa. Ali, sim, há estações beeeeem certinhas. O inverno é inverno e fim de papo. E lá neva. Sem dó nem piedade. Confesso que gostei da neve — nos primeiros quatro segundos. É bonito de ver caindo, até encostar em você. É mais divertido enfiar a cabeça no freezer do que ter neve no rosto, vai por mim. E quando acumula no chão, vira um misto de água enlameada com piso ensaboado.
Ainda que a curiosidade sobre a neve tenha sumido rapidinho, o encanto com aquele inverno inédito só crescia. Naquele cenário meio inóspito, branco, se destacam as árvores decíduas, que são do tipo que ficam totalmente sem folhas no inverno. É lindo, quase hipnótico. Aquele monte de galho pra todo lugar que se olha.
Numa situação “normal”, entre aspas mesmo, a foto incluiria tudo: prédios, horizonte, rua, pedestres, neve e, evidentemente, árvores.
Só que à medida em que andava, com a cabeça pra cima, pronto pra tropeçar, mais hipnotizado eu ficava com aquele emaranhado maravilhoso, um caos organizado num grafismo magnífico. O contraste com o céu cinzento me dava a sensação de estar olhando uma tela sendo pintada em tempo real.
Seja pela friaca, seja pelo horário, o fato é que a tal cidade que não dorme estava suspensa, estranhamente silenciosa. Ou talvez fosse o meu semi-transe enquanto contemplava aquilo tudo.
Embora a técnica pouco importe, aqui vale como curiosidade. Fiz a foto com uma grande-angular apontada bem pro céu. Minha ideia foi registrar aquele abraço que estava sentindo, um mundo só de galhos, que começa e termina nas próprias árvores num grafismo lindo.
Sim, uma foto pode ser só um registro de viagem, mas ela ganha significado quando se torna o reflexo de um sentimento. Essa obra reflete o meu. Ela é um convite à introspeção, à presença, à contemplação.
Ideal para ambientes que pedem tranquilidade — salas de estar, halls, escritórios, livings e espaços de arte.
Impressa em papel fineart de algodão ou papel sintético, com moldura artesanal sob medida, assinada e certificada.
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