18/09/2023
No blog Chutebol, uma nota sobre o sentimento de confiança na infância (íntegra no site):
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"(...) Não pude responder com uma orientação, mas com outra pergunta: “Fulano, olhe para a quadra. Para onde você acha que deve ir?”. Olhou, atentamente. Foi como que narrando os movimentos dos colegas, até que disse, em maravilhoso ato falho, “aí eu vou pra lá então”.
“Então você já sabe para onde ir”, devolvi. E lá foi ele. Não me perguntou mais nada desde então.
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A confiança é elemento mais que fundamental do amadurecimento infantil. Por confiança, este tipo de confiança, me refiro a algo mais do que ‘saber’ ou ‘fazer’ alguma coisa de modo assertivo. Mais que isso, é uma confiança em estar no mundo.
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O pequeno jogador desta anedota precisou tatear ponto a ponto seus passos em quadra e, imagino, tantas vezes antes de arriscar-se a perguntar, quantas vezes não deve ter ficado sem rumo, apenas seguindo a turma sem pensar sobre as próprias ações.
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Para conseguir chegar ao professor e perguntar, é legítimo imaginar que sentiu a confiança mais elementar de todas: a que o ambiente podia acolher sua dúvida, e que o professor poderia dar-lhe a mão, ou ao menos escutá-lo.
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Noutros casos, com crianças em maior dificuldade, o mais comum é algum tipo de subterfúgio: ‘estou com dor’; ‘não quero jogar hoje’; ‘não sou bom’.
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Esse pequeno caso parece ilustrar, como tantos outros, a necessidade de sustentar um ambiente – no caso, esportivo – em que as pessoas se sintam seguras o suficiente para errar e, sobretudo, duvidar.
Até que possam, digamos, se sentir mais confiantes.
E – por que não? – encontrar seus próprios caminhos."
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botafogo.rj
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