03/12/2025
Há um paradoxo silencioso tomando conta das festas de fim de ano.
A época que antes aproximava famílias, curava feridas antigas e reacendia laços afetivos, hoje se vê atravessada por discursos que ridicularizam justamente aquilo que deveria ser celebrado: a união. A internet, que poderia ser ponte muitas vezes se torna instrumento de ataque, onde encontros familiares são tratados como hipocrisia, como se sentar à mesa com quem amamos fosse algo ultrapassado ou motivo de vergonha. E assim, pouco a pouco, o distanciamento vai sendo normalizado… alimentado… reforçado.
Até mesmo os cultos de Natal e de virada de ano momentos em que a família em Cristo se reunia para agradecer, adorar e renovar a fé começam a ser trocados por mega shows gospel, onde a experiência coletiva é substituída pelo espetáculo. Troca-se comunhão por consumo. Presença real por performance. E o que antes era um encontro de irmãos, hoje muitas vezes se dilui em um evento onde cada um apenas “assiste”.
Mas, quando olhamos para os princípios que Cristo nos deixou, não vemos nada disso.
Cristo não chamou a família para se fragmentar, mas para ser refúgio.
Não a pensou como problema social, mas como primeiro projeto de amor.
Não a enxergou como espaço de competição, mas como campo de reconciliação, perdão e crescimento mútuo.
A Bíblia revela uma família que se apoia, se corrige, se abraça, ora junto e caminha com propósito, uma família que não se troca por telas, barulhos ou palcos, porque ela é o palco onde Deus manifesta sua graça todos os dias.
E então surge a pergunta que deveria incomodar cada um de nós:
Em que momento começamos a tratar a família como algo nocivo à sociedade, quando Deus sempre a apresentou como modelo a ser seguido em todas as áreas da vida?