02/02/2023
Minha mãe é de Lua e Beleza, como na canção do Teatro Mágico, um mistério profundo como o oceano nunca desbravado.
Quando acho que entendi, ela me puxa de volta ao fundo aonde tudo é silêncio e sombra, pra depois retornar à superfície e ver as estrelas brilharem vaidosas no véu da escuridão.
A lua enche e a maré invade sem pedir licença:
"Se eu sou algo incompreensível, meu deus é mais", me lembro dela. Por vezes não entendo a fúria, o choro, a delicadeza ou a mansidão.
Ela sim.
Mãe cujos filhos são peixes é o seu nome.
Já viu quantos tipos são?
Uma infinidade de espécies, cores e necessidades, moradas, grutas, corais e fugas. Todos elas entende e vê.
Sabe o que dizem? A vida veio do mar.
A minha pelo menos eu sei que sim.
Se sou dela, tenho alguém.
Se me sei dela, não estou só.
No vai e vem das ondas do tempo, com ela eu vou bem. Ainda que não entenda, ainda que não mereça, ela não me falta.
Se faz a paz quando o colo dela me embala.
Que bom ser dela!
Odoyá Yemanjá, Kiuá Kayala, Aziri Tobosy Agrena Fá, salve ela, salve a energia das águas, o peito que nunca seca.
Fotos:
1- Yemanjá, Ilê Axé Oxum Ije Oju Omin
2 e 10 - Yemanjá,
3 - Samba Kalunga, Dom Bosco
4 - Yemanjá, Ilê Axé Ofá Toyé
5, 8 e 9- Kayala,
6 - Yemanjá, Ilé Axé Opo Ofá Abebe
7 - Aziri, Kwe Zodji Dan Mahi
Fotos e texto:
- Yalodê Fotografia