28/01/2024
Nessas férias não viajamos pra nenhum lugar especial, não confeccionamos juntos nenhum brinquedo com papelão ou outro material reciclável, não plantamos uma árvore sequer e nem mesmo adotamos um bichinho de estimação.
Fizemos o trivial, aquele ordinário despretensioso que acaba virando história pra contar.
Digo por mim, que sempre amei ganhar festa de aniversário e lembro com muito mais brilho nos olhos da minha mãe decorando bolo na madrugada, da família reunida pra encher balão e enrolar docinho do que do evento em si.
Era sentar com a minha tia pra grampear os saquinhos de pipoca que me faz rebobinar a fita das boas lembranças. Era enfiar o dedo na cobertura da torta de morango que minha vó fazia (antes de ir pra mesa) que me inunda de saudades, eram as gambiarras de luz amarela que meu pai pendurava pra iluminar o quintal que facilmente me transportam pros meus recém completados oito anos de idade.
A preocupação geral era em encher o bucho dos convidados pra não saírem falando mal. Ninguém ali tava focado em criar boas memórias, essa é uma demanda atual e eu ouso dizer que um tanto quanto desnecessária, até porque, independente do quanto se busque, se empenhe e até se “forje” a criação de memórias afetivas, elas se dão organicamente e não necessariamente numa viagem internacional, por exemplo, mas no próprio dia-a-dia, no café posto na mesa, no beijo no machucado pra sarar, no sentar junto pra ver TV, no ouvir, no cuidar, naquilo que nem a gente sabe que o cérebro do outro vai registrar.
Colecionar memórias afetivas é incrivel sim, eu tenho um bocado delas e posso garantir que as melhores se deram sem intencionalidade, só sendo vividas e aproveitadas mesmo. Com afeto.