25/11/2021
Em todas as cidades brasileiras o crescimento de até 50% nos casos de feminicídio durante a pandemia* revela que ser mulher na atualidade é colocar o corpo à prova, todos os dias, enfrentando barreiras não somente físicas, mas simbólicas que ainda perpetuam o direito à existir e resistir.
Por outro lado, a cidade não é a mesma para homens e mulheres. A cidade se reparte em duas, devido à visibilidade e legitimidade dos espaços a serem ocupados, as apropriações físicas e culturais e os modos como as normas geram modos de invisibilidade das interdições com as quais somos confrontadas.
Corpos femininos em espaços coletivos são quase sempre vítimas de violências desmedidas, todos os dias.
A violência que agride os corpos também toca almas. O feminino, se vê restrito ao enquadramento externo, dos lugares que pode ou não ocupar e em um contexto onde a exposição de corpos, a afirmação da sexualidade e da liberdade podem ser um crime castigado com a agressão verbal ou física, seja na vida real ou no contexto virtual.
Talvez o percurso necessário seja justamente rasgar o mapa traçado pelas construções sociais que normatizam nossos corpos e reinventar outras rotas, ousando mergulhar na essência do que somos, corpos, desejos, mentes e sonhos, atravessando o mar de possíveis e ousando reexistir enquanto utopias de nós mesmas.
Fonte utilizada: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).