04/03/2025
"Nas manhãs frias, minha mãe nos entregava um copo com água morna. Era para escovarmos os dentes. Na época, eu via apenas um copo com água morna. Hoje, sei que era amor.
Ela renunciou a muitas coisas, suportou o cansaço, enfrentou noites em claro. Posso imaginar. Mas o que vejo com nitidez são suas mãos me entregando o corpinho de alumínio e a escova já com creme dental.
E então me pego pensando: o que meus filhos guardarão na memória sobre mim? Sobre nossos dias?
Quando penso não estar oferecendo uma infância extraordinária - você sabe como é, a gente sempre está devendo alguma coisa - lembro do copo com água morna.
Porque, um dia, no meio de uma tarde difícil, quando a vida for dura demais com esse filho adulto, enquanto ele tenta dar conta de si, a fumacinha do pão de queijo saindo do forno vai ressurgir em sua lembrança. Sei disso porque, até hoje, não importa onde eu esteja, minha mãe faz café com pão dentro de mim.
O cheiro da pipoca, o quentinho do cobertor, o desenho na TV enquanto a chuva cai lá fora - tudo isso não f**a aqui. Vai adiante. Porque cada ato de bondade e justiça para com um filho segue abraçando, ilustrando o amor, ensinando e acolhendo. Hoje, eles apenas vivem. Mais tarde, entenderão. E sentirão saudade.
Um dia, essa vida que pulsa no seu lar, em cada momentinho chamado exatamente "agora" será recontada assim: "Quando eu era pequeno, minha mãe..."
Então, que a distração e a pressa não te impeçam de ver o signif**ado por trás de cada ato no meio dessa vida trivial, onde moram tantas oportunidades de derramar amor quentinho."
Texto .roselimendonca