23/04/2025
Bonzinho. Mas a que custo? Crescemos acreditando que ser “do bem” é uma medalha no peito. A mais reluzente. Ela brilha nas rodas de conversa, nos conselhos para amigos, nos relacionamentos, na postura profissional — onde todo mundo quer ser o sensato da vez. E aí, a gente se esforça: fala com calma, escuta com atenção, pondera com sabedoria. Não grita, não surta, não incomoda.
Parece bonito. E, de certo modo, até é. Amo quando sou. Só que, às vezes, é só medo maquiado de maturidade.
Essa nossa suposta "elegância emocional", que evita confrontos, que se curva com doçura, que responde “imagina, de nada” mesmo quando tá engolindo a própria raiva — talvez seja só uma carência educada. Um pedido de amor disfarçado de autocontrole.
A gente sinaliza "sim" com um sorriso suave, quando o corpo inteiro grita "nãao". A gente se adapta, se molda, se silencia. ... e depois não entende por que ninguém enxerga o esforço, ninguém percebe a exaustão.
Mas como vão perceber? A gente se esconde tão bem!
Ser bonzinho virou profissão. Jornada dupla, sem férias, sem bônus, e não pode pedir reconhecimento.
E aí entra a pergunta que arde: será que o que você chama de empatia, não é só incapacidade de sustentar a própria verdade?
Tem gente que diz que ser bom é uma escolha. Eu diria que é uma construção — e que às vezes, essa construção tá toda baseada em alicerces trincados de medo, culpa e a velha necessidade de ser aceito.
Ser bom de verdade? É outra coisa. É saber até onde você vai. É saber parar. Recuar. Proteger-se. Dizer “hoje não dá”. Dizer “isso me machuca”. Dizer “não”.
E não, não é ser egoísta. É ser inteiro. É não viver rachado entre o que você sente e o que você demonstra.
Então, por favor: se observe. Se você tá sempre cansado, talvez não seja só a rotina. Talvez seja o excesso de concessão. A gentileza COMPULSIVA. O medo de ser mal interpretado. A urgência de ser amado. Eu juro que pode não ser só cansaço.
Porque quando você apaga sua luz pra acender a dos outros... adivinha quem f**a no escuro?
Não somos estepe emocional e nem enfeite de bons modos pra ninguém exibir por aí.
Você é você. Eu sou eu. E já passou da hora de ocupar esse lugar.