24/04/2026
“O coco que eu canto não se aprende com ninguém!”
Mestre Galo Preto, Patrimônio Vivo de Pernambuco, 92 anos de idade, uma vida dedicada à arte da embolada, do coco e do repente.
Nascido no Quilombo Rainha Isabel (em Bom Conselho), Tomaz de Aquino Leão vem de uma família que cultivava o samba de roda (como era conhecido o coco) dentro de casa e em festas. “Agora, quem fez profissão de cantar foi Preto Limão, Galo Preto e Curió”, diz, lembrando de seus dois irmãos mais velhos. “Eu sou mais novo que Curió, mas comecei a cantar primeiro”. Galo Preto compôs a primeira embolada aos 9 anos – “A pinta”, a partir de uma galinha que a mãe matou para fazer uma refeição.
Depois que migrou para o Recife, aos 12 anos, conheceu o poeta Ascenso Ferreira, que viu nele um artista e o recomendou para cantar na Rádio Clube. Ainda adolescente, começou a compor jingles para campanhas, trabalho que fez durante muito tempo, e foi bastante disputado pelos políticos. Viajou o Brasil e para fora, representou oficialmente a cultura pernambucana em diversas ocasiões, incluindo programas como o de Flávio Cavalcanti, bastante conhecido do anos 1960 aos 1980. Já foi tema de livro (“O coco praieiro”, de Altimar Pimentel) e de documentário (“Galo Preto, o menestrel do coco”, de Wilson Freire).
Após uma pausa na carreira, voltou a cantar nos anos 2000 para uma campanha de saúde da Secretaria de Saúde de Olinda e não parou mais. Em 2011, foi reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco.
Viva Mestre Galo Preto!
Texto:
Fotos: Silla Cadengue
Fotos e textos para a Fundarpe, mar. 2026