15/11/2019
"Sempre digo que tenho saudades da Umbanda de antigamente. A minha saudade e daqueles terreiros que eram nos fundos de um quintal. Os dirigentes espirituais não eram vaidosos, os médiuns não eram vaidosos. Existia respeito de ambas partes. Tudo era sagrado e muito respeitado. O terreiro era simples firme e humilde. Aquele conga com santos católicos a firmado com água e vela e de enfeite tinha as rosas e flores do jardim do quintal. Que ao passar pela simples casa de Exu feita de tijolos e telha você se arrepiava. As Firmeza eram vela e copo de água. Nada de ferros e bugigangas.
Aquele teto com telhas cheio de bandeirinhas. O defumador era de lata de lei em pó e tinha um cheirinho ótimo pois o defumador era feito com ervas pelo dirigente. Aquele terreiro que cantava ponto de raiz, que acreditava na magia das ervas, nas força da natureza. Aquele terreiro pé no chão. Aquele terreiro aonde a roupa dos médiuns era branca e simples feito algodão.
Saudades das rezas de preto Velho com galho de arruda ou aroeira. Da vidência no copo da água. Da reza de quebranto, vento virado, espinhela caída. Saudades daqueles quadros de Preto-velho, Yemanjá e Jurema, já desbotados na parede....
Saudades do brado do Caboclo, que arrepiava até o cabelo do dedo mindinho. Saudades de quando o Exú pedia pra você acender um charuto, você tremia de medo. Saudades de quando você via uma Pomba-gira e ficava com os olhos brilhando pelo mistério da sua gargalhada. Saudades de quando o Preto-velho mandava você acender uma vela com fé, que tudo iria se resolver e se resolvia mesmo...
Saudades de quando uma ibejada chegava de surpresa e fazia todos sorrirem com suas peripécias. Saudades de uma Umbanda limpa, correta e muito verdadeira e firme.
Saudades dessa simples Umbanda, onde tinha respeito, verdade, humilde, segurança, disciplina, caridade e união. Não havia disputas entre terreiros, fofocas, maldades, luxo, ganância teoria da prosperidade.
Essa é a Umbanda que tenho saudades.
Agora quase não se vê mais isso. Mas é por essa Umbanda que eu luto e faço de tudo para que não caia no esquecimento do tempo e se perca na vaidade da modernidade."
(Jefferson Santana)🌿