25/05/2026
Esse é um post um pouco diferente do que costumo compartilhar por aqui.
Mas talvez ele converse genuinamente com você aí do outro lado.
Eu lembro exatamente quando ganhei meu primeiro equipamento fotográfico.
Uma câmera prata da Kodak, acredito que o modelo KB10, lá pelos anos 2000. Eu tinha 7 anos.
Lembro da emoção que senti naquele dia.
E também tenho pequenos flashes das primeiras fotos: meu irmão dentro do carro durante as viagens para a praia, as tardes com os amigos no colégio, detalhes aleatórios que, por algum motivo, pareciam importantes para mim.
Aquilo virou minha forma de olhar o mundo por muito tempo.
Talvez minha forma de guardar pequenas surpresas do dia.
De perceber detalhes que passavam despercebidos para quase todo mundo.
Tenho muitas dessas fotografias guardadas até hoje.
Não apenas para lembrar de uma época, mas para lembrar da inocência de fotografar sem esperar um resultado específico. Sem precisar que tudo fosse perfeito.
Minha filha, Sophie, talvez por crescer vendo a fotografia tão presente na minha vida, me pediu uma câmera.
E é claro que eu daria.
Ver ela descobrindo o mundo através de uma lente é quase como me enxergar fora do corpo.
É óbvio que, com quatro anos, ela ainda não entende sobre composição, enquadramento ou as regras que a fotografia, às vezes, tenta impor.
Mas é engraçado perceber que justamente através dos olhos dela eu tenho parado para sentir mais a fotografia outra vez.
Perceber o que nem sempre é visível.
Voltar a olhar sem tanta pressa.
Sem precisar transformar tudo em performance.
E talvez seja isso que eu queria te dizer hoje:
Às vezes, tudo o que uma criança precisa é de um pequeno incentivo para que algo grandioso floresça lá na frente.
Meus pais nunca mediram esforços para me apresentar possibilidades.
E espero conseguir fazer o mesmo com a Sophie, um pouco por dia.
Então, se eu puder te desejar algo, é isso:
quebre seus próprios preconceitos sobre o que é válido, bonito ou possível.
Apresente o mundo aos seus filhos.
Porque às vezes aquilo que parece pequeno hoje…
vira a forma que alguém encontra de enxergar a vida inteira