02/07/2025
Espaço Litoraneando
Por Almir Silvério da Silva, Cidadão Parnanguara
(Na Gazeta Parnanguara de 28/05/2024)
Paranaguá e suas praças – Parte I
Explorar as praças de Paranaguá é adentrar um universo de história e de cultura, onde cada recanto revela um pedaço da identidade e da alma dessa cidade costeira.
PRAÇA FERNANDO AMARO
A praça central de Paranaguá é delimitada pelas Ruas Presciliano Corrêa, do Senadinho, Dr. Leocádio e Faria Sobrinho.
Antigamente era denominada de Praça Duque de Caxias, pela deliberação da Câmara Municipal em sessão no dia de 8 de maio de 1880. Denominada desde 1906 como Praça Fernando Amaro, através da Lei n° 131, de 27 de agosto de 1906, e inaugurada em 1907, se tornou o principal ponto de encontro da sociedade local. Na sua área central existe um coreto, construído em 1914. A praça, já foi palco de muitas retretas e o principal ponto de encontro de jovens parnanguaras, hoje, nos dias de semana ainda é uma das praças mais movimentadas de Paranaguá, por situar-se na área central da cidade. Nela acontecem os tradicionais encontros nas sextas-feiras, onde os parnanguaras tomam o café na praça, nas diversas barracas de alimentos (pasteis, sanduiches, sucos etc.), e funciona também uma pequena feira de artesanatos, pães, produtos agrícolas etc.)
FERNANDO AMARO é uma personalidade que brilha na história cultural do Paraná, especialmente em Paranaguá, onde sua vida e legado são lembrados e honrados até os dias de hoje. Nascido em 24 de junho de 1831, embora a data exata seja presumida, ele era filho de Antonio Dyonísio de Miranda e Anna Rosa de Miranda. Desde sua juventude, mostrou-se ávido por conhecimento, apesar das limitações financeiras e das oportunidades educacionais restritas da época.
A trajetória profissional de Fernando Amaro foi marcada por ocupações modestas, como guarda-livros e secretário da Câmara de Morretes. No entanto, sua verdadeira paixão residia na literatura. Mesmo durante seus momentos de trabalho, ele buscava avidamente o saber por meio da leitura. Sua sede de conhecimento o levava a devorar qualquer texto que encontrasse interessante, compilando em um caderno trechos de obras e poemas que lhe inspiravam. Dotado de talento poético, Fernando Amaro encontrava na criação literária uma forma de expressão e realização pessoal. Apesar das adversidades, ele organizava eventos festivos em Morretes e Paranaguá, onde declamava seus próprios versos, sendo aplaudido e admirado por muitos. Sua elegância e sociabilidade o tornavam uma figura cativante, mesmo em meio às dificuldades da vida. A morte de Fernando Amaro aos 26 anos, em 16 de novembro de 1857, foi um golpe duro para a comunidade. Sua partida prematura, atribuída a uma congestão cerebral, deixou um vazio na cena cultural paranaense. Seu funeral foi marcado por uma comoção generalizada, destacando-se como um dos eventos mais significativos da cidade de Morretes na época. Apesar de sua curta vida, o legado de Fernando Amaro perdura através de sua poesia e influência no cenário cultural paranaense.
Referências: Carneiro, David, Galeria de Ontem 1963
Revista do Centro de Letras de Paranaguá- 1963