28/05/2026
São quase cinco horas da tarde.
Os últimos raios de sol atravessam o quintal e já não têm a força do verão. É outono. Uma brisa leve, fresca, quase gelada, passa devagar entre as árvores. Os pássaros fazem seus últimos voos do dia, como se também se preparassem para o descanso.
Enquanto rezo, um beija-flor vem me visitar.
Por alguns instantes, tudo parece falar da perfeição da criação. Da delicadeza de um Deus que pensou cada detalhe do universo e que continua sustentando todas as coisas.
O sol ainda alcança minha pele e aquece meu corpo. Então escuto o som de um avião cruzando o céu.
E isso me leva para longe.
Lembro da primeira vez que estive em Paris. Da alegria de descobrir o mundo, de acompanhar aviões em aplicativos e imaginar para onde cada um deles estava indo. Eu olhava para o céu e pensava nas histórias que viajavam dentro daquelas aeronaves, nos encontros, nos recomeços e nos sonhos que aguardavam do outro lado.
Lembro da felicidade que senti ao chegar à Europa. Dos dias vividos, dos lugares percorridos e de como aquelas experiências transformaram meu olhar sobre a vida.
Enquanto isso, o céu continua mudando.
O dourado toma conta do horizonte. As sombras crescem lentamente. A luz se despede sem pressa.
E os pássaros seguem em seus últimos mergulhos do dia.
Tudo parece render louvor ao Criador.
E eu, sentada aqui, contemplando o fim da tarde, só consigo agradecer. Por cada cuidado de Deus. Por cada oportunidade recebida. Pelos lugares que conheci, pelos sonhos que vivi e por esta simples beleza de estar presente, vendo mais um dia chegar ao seu fim.