20/05/2026
Saí de casa 5 da manhã pro aeroporto de Confins, a caminho da maior experiência fotográfica eu já vivi até hoje, o Metamorphosis, em Garibaldi, Rio Grande do Sul. Mas quase que não chego, porque parei no caminho pra entrevistar o Sr. Didi, que estava cortando capim, envolto na neblina daquela manhã pesada. Perco o voo, mas não perco essa história. Poucos minutos de conversa foram o suficiente pra mudar muitas vidas, especialmente a dele. Uma das frases mais marcantes até hoje do Retratos veio dele: com 80 e tantos de idade, ele só queria chegar ao final da vida menos pior do que passou até ali.
Desejar dignidade nessa idade é o mínimo, ter, é quase que obrigação. O vídeo dele bateu milhões de views e as pessoas, vocês, espectadores do Retratos, se sensibilizaram e ofereceram espontânea e humanamente, uma vaquinha pra ele. Não, ele não passava necessidade, muito menos fome. Às vezes, a casa não mostra nada do que está por dentro.
Fui pro Congresso, mudei minha vida lá, com tanto ensinamento, trocas, humanidade compartilhada. A história do Sr. Didi só me preparou pra ser mais humano quando voltei à casa dele, agora com o Julinho, pra gravar mais, contar que vocês ofereceram ajuda e pra contar a história dele e da esposa, Dona Maria, agora através de fotos.
Montei essa coleção em 20 fotos e, toma, premiada na FineArt. O Retratos é, sim, pras pessoas, pro mundo. Os ensinamentos que temos têm um valor imensurável nas nossas vidas. Na minha, em especial, ele vem de várias formas, inclusive no exercício da minha fotografia: cresço também como profissional.
Essa não é uma história com começo, meio e fim. Ela é bem bagunçada, ainda bem, porque é só o prefácio da minha entrada no Metamorphosis, da reforma da casa do Didi, do crescimento humano do Julinho, da generosidade de vocês. E vou contar todas aqui. Vocês estão lendo?