18/06/2026
Sou um desastre em textos motivacionais. Não acredito nesse lero lero de empreendedorismo que nos enfiam goela abaixo, enquanto, na verdade, é só uma forma de ofuscar a precariedade da mão de obra e dos baixos salários impostos pelos patrões. E sou pior ainda em tentar dizer que vai dar tudo certo, que todo mundo consegue, que é só querer e que o sol nasce pra todos. Não é não. Mas numa coisa ou outra, eu acredito. O Sr. Rogério Magalhães, o Rô, pai dos meus melhores amigos Rojas e Carol, me disse uma vez na Feira Hippie, em BH, quando eu ia sempre pelo mesmo caminho buscar cerveja, lá na esquina da Álvares Cabral com a Afonsa Pena: se você for só reto, você sempre por aqui, você dificulta a possibilidade do encontro. Guardei pra vida. Pego caminhos diferentes pro mesmo lugar, tento manter a cabeça ativa e não abaixo a cabeça pros ‘nãos’ da vida. Eu e o Julinho, meu sócio do Retratos, íamos pra casa da Tia São levar um presente que uma seguidora, mas ela não estava em casa. Ele já tinha deslocado pra cá, eu já tinha ajustado a agenda. Ah, bora dar um rolê aí na rua e trocar ideia, vai que... E foi que! Topamos o Sr. Zé Carlos, que eu já havia registrado lá no Bar do Guido, uns 2 anos atrás. Puxamos papo e, por meia hora, ouvimos as palavras mais sábias dos últimos tempos. E, olha só, que doideira, dos 3 arquivos de vídeo que o Julinho gravou, o maior se perdeu num mistério que a Apple nunca vai conseguir explicar. A outra metade do dia foi tensa e triste, até o estoicismo agir e nos dizer que tudo bem, só ir lá e gravar de novo, gravar melhor. Ele levantou o chapéu aos céus, agradeceu por ter uma charrete, uma família linda e muito serviço. Também disse que já viu nossos vídeos no Leo Dias. Ao final do papo, fiz uma sessão de retratos e isso aí, colorido, é pra nos mostrar que, mesmo eu, cético, aborrecido, acredito no poder da resiliência e na possibilidade do encontro. Só não acredito no liberalismo econômico defendido pela meritocracia, aí já é demais!