04/12/2025
Marcos Silva carrega a feira na pele.
Antes de aprender a escrever o próprio nome, já sabia o caminho entre as bancas, já sentia o cheiro da carne fresca chegando, já entendia que ali era o mundo dele.
Cresceu vendo o avô e o pai trabalhando.
Muitas vezes dormiu na feira enquanto o pai virava a madrugada.
A infância dele foi feita desse som contínuo de caixas sendo abertas, conversas cruzando o corredor, vida acontecendo antes do sol despertar.
Com o tempo, vendeu de tudo: papel, bombril, tempero.
A feira sempre pedia uma coisa diferente e ele sempre entregava.
Mas foi na carne que encontrou o ofício que o acompanha há mais de 45 anos.
Pedro também cresceu aqui.
O estudo ficou para depois, porque a urgência do trabalho veio antes.
Hoje, ele tem três filhos e todos estudam, como se a feira, depois de tanto abrir portas para a sobrevivência, agora abrisse portas para o futuro.
As fotos que fiz do Marcos mostram mais do que a rotina de desmembrar o boi.
Mostram respeito.
Mostram tempo.
Mostram a herança de quem aprendeu cedo que dignidade também se construí com as próprias mãos.
Porque, na verdade, ninguém compra só carne.
A gente compra tudo o que vem junto: as madrugadas, as histórias, o cuidado, o sangue que virou sustento.
E é por isso que eu fotografo.
Pra lembrar que, por trás de cada produto, existe uma vida inteira que merece ser vista.
A feira vive, e são pessoas como essas que fazem dela um patrimônio histórico e rico de história e verdade.
Obrigado Marcos Silva por dividir um pouco da sua linda trajetória, e que o senhor seja sempre lembrado pelo seu trabalho de excelência.