01/08/2025
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SONATA DE OUTONO
Ela caminha sozinha, com um violino ao peito e o mundo sob seus pés,
num campo aberto onde a arte repousa, e o tempo parece inclinar-se em reverência.
Esculturas de bronze — imóveis, eternas — observam-na em silêncio, intercaladas com figuras pálidas esculpidas em cimento branco, como se cada uma guardasse uma lembrança que o vento de outono insiste em soprar de volta.
Folhas douradas dançam no ar, caindo lentamente sobre o gramado verdejante que emoldura a cena como uma pintura viva.
E o som do violino…
ah, o som do violino é alma em vibração, um lamento doce, uma declaração sussurrada ao coração de alguém que está longe demais para ouvir.
A cada nota, ela costura memórias, como se as cordas fossem pontes invisíveis ligando seu presente a um rosto que habita suas saudades.
Ela segue por entre as obras como quem desfila em um museu sem teto, e ao fundo, a cidade desperta em poesia: ruas de pedra, varandas floridas, casas que parecem saídas de um conto suíço.
E ela toca…
por ele, por ela mesma, pelo que não pôde ser.
O arco desliza como se dançasse, trazendo vida às estátuas e cor aos instantes que o tempo quase apagou.
É uma tarde de outono —
mas também é um cenário de eternidade. Porque onde há música e lembrança, há algo que jamais se perde.
Ensaio feminino com a maravilhosa Bia Motta .motta
ESPAÇOS:
CAMPOS DO JORDÃO-SP
Museu Felícia Leirner
Sans Souci Café e Confeitaria
Rua Senador Gustavo Godói
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Andrei Cruz
PRODUÇÃO: Andrei e Marta Cruz