18/04/2026
Podemos comparar a maternidade com os pássaros que fazem vôos majestosos. Não sentem o peso das asas, embora grandes e verdadeiramente pesadas. Se lhes cortasse, ou fosse possível desprenderem-se delas voluntariamente, esses pássaros pesariam menos, mas não poderiam voar.
As obrigações da maternidade não são um peso, não são algo negativo. Pelo contrário, são uma contínua afirmação de um amor com obras, e não apenas um amor de palavras.
Junto a isso, quando dizem “fulana tem o dom da maternidade”, parecem querer dizer que a ela não custa acordar de madrugada, repetir várias vezes a mesma coisa, se privar de fazer as coisas na hora que bem entende, sacrificar sua carreira profissional para cuidar dos filhos pequenos, amamentar, passar pelo puerpério, ficar acima do peso.
Não é verdade, ela custa! Custa como a todas, entregar é custoso para todas. Amar mais aos filhos do que a si mesma é custoso para todas! Mas ela escolheu entregar tudo isso a algo magnânimo.
O seu diferencial? Ela consegue encontrar felicidade onde a lógica humana só vê negação, padecimento e dor. E essa mudança de percepção e vivência é possível, ou melhor, é desejável a todas nós, do contrário seria o mesmo que tentar fazer vôos majestosos sem asas.
-Samia Marsili