04/09/2026
Tem muita coisa que mudou em mim desde que comecei a fotografar.
Mudou o jeito que eu trabalho, o que eu acho bonito, o que eu quero construir e, principalmente, o que eu entendo como sucesso.
Acho que amadurecer também foi isso: começar a perceber que nem tudo que ocupa espaço na nossa vida realmente tem valor.
Algumas coisas perderam a importância.
Algumas relações também.
Outras f**aram ainda mais importantes.
E por mais que algumas dessas mudanças tenham sido difíceis, hoje eu entendo que foi nesse processo que comecei a separar melhor o que fazia sentido pra mim do que eu simplesmente tinha aprendido a desejar.
Minha fé teve muito a ver com isso.
Quanto mais eu fui me aproximando de Deus, mais algumas perguntas começaram a mudar de lugar dentro de mim. O que eu quero construir? Pra quê? O que vale a pena preservar? O que eu não quero perder de mim no caminho?
E, inevitavelmente, isso começou a aparecer também no meu trabalho.
Hoje eu penso menos em fazer uma fotografia que impressione e muito mais em fazer uma fotografia que tenha verdade.
Que fale sobre quem aquela pessoa é.
Sobre a fase que ela está vivendo.
Sobre aquilo que merece ser lembrado quando tanta coisa já tiver mudado.
Talvez por isso eu continue tão apaixonada por fotografar pessoas.
Porque, com o tempo, eu percebi que meu trabalho nunca foi só sobre imagem.
É sobre identidade.
Sobre memória.
Sobre estar presente.
Sobre reconhecer valor no que, muitas vezes, a vida faz a gente passar rápido demais.
E acho bonito perceber que, enquanto eu fui aprendendo a enxergar tudo isso nos outros, a fotografia também foi me ensinando a enxergar melhor a minha própria vida.