30/04/2019
O projeto Tramas Urbanas de Fronteira foi selecionado em um edital promovido pela Fundação Cultural de Foz do Iguaçu para uma exposição itinerante pelos próximos dois meses!!!
Em primeiro lugar vamos voltar pra casa. Vamos para a UNILA. Depois, seguiremos para a Biblioteca Comunitária do Cidade Nova e por fim, visitaremos dois Colégios Estaduais, o Monsenhor Guilherme e o Três Fronteiras.
Originalmente pensada como Trabalho de Conclusão de Curso em Letras, Artes e Mediação Cultural pela UNILA - Universidade Federal da Integração Latino Americana, a exposição fotográfica Tramas Urbanas de Fronteira possui fotografias capturadas nos arredores da Ponte Internacional da Amizade, na divisa entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. Nela o fotógrafo retrata as múltiplas identidades culturais que podem ser encontradas na complexidade das ruas e que dificilmente nos damos conta devido a frenesi cotidiana que é andar e dirigir por elas. A elaboração da exposição durou 3 anos, dedicados à pesquisas académicas e incursões na área. Foram tiradas quase 1000 fotografias e, ao final, foram selecionadas as 19 que se encontram na mostra. São ruas, monumentos, lojas, outdoors, pessoas, tempos, espaços e histórias da vida cotidiana e da memória regional.
As relações humanas com o espaço são historicamente marcadas por processos de tomadas de posse, seguidas da construção de objetos que, além de refletirem as características culturais de um povo, marcam e abrem caminhos para a sua descrição, seja na forma de textos ou alguma outra maneira artística que extrapole a escrita. Sendo assim, tudo o que a mulher ou o homem fazem no espaço, se torna simbólico.
O tempo, se encarrega de transformar o simbólico em experiência, e sendo a cidade um espaço comum, onde as pessoas transitam juntas apesar de terem tempos e possibilidades diferentes, as nossas lembranças são todas compartilhadas através do cotidiano.�Ao contrapor cidades vizinhas, nota-se que todas as cidades são únicas e possuem características próprias. Ao contrapor cidades vizinhas em um ambiente de fronteira nacional, as características dos países se tornam evidentes, mais do que isso, fronteiras nacionais convidam os povos a serem marcadamente característicos, pois num espaço onde a presença de um outro tão diferente é constante, entender-se a si, e seus pertencimentos sociais, é também uma forma de construir-se enquanto identidade.
Apesar disso, não é possível afirmar que exista uma cultura pura, pois nas relações cotidianas sempre haverá troca, um entendimento, um modo de compreensão cosmo espacial.
A vida na fronteira proporciona essa relação contraditaria, entre a constante afirmação do eu, mesclada com a constante assimilação do outro.
Na fronteira que ocupamos, as relações culturais são complexas. Ao andar pelas ruas do Micro-Centro Comercial de Ciudad del Este, nota-se rapidamente a peculiar configuração do espaço: lojas e galerias de um ou vários andares que vendem todo tipo de produtos importados, convivem porta a porta com tendas feitas de concreto e aço que vendem todo o tipo de coisas, desde dvds falsos até artesanatos regionais; no restaurante oriental em que a cozinheira é paraguaia, a televisão está sintonizada em um canal chinês e os clientes são cobrados em guarani; um funk brasileiro é ouvido logo após o reggaeton; os vendedores de chipa dividem espaço com os árabes que fazem shawarma; as logotipos das lojas misturam diversas línguas como árabe, mandarim, coreano, espanhol, guarani e português; a garrafa térmica personalizada com o nome do Paraguay e a cuia de tereré, mata a sede do empacotador com traços indígenas, o qual trabalha o dia inteiro cuidando para não quebrar nenhuma garrafa de bebida importada da Escócia ou da África do Sul e assim poder comprar e pagar em dólar algum eletrônico desenhado nos Estados Unidos ou no Japão e montado na China.