16/02/2021
Há exatos dez anos, eu acordei solteiro e só tinha um propósito naquele dia: me declarar para a menina que fazia meu coração acelerar, meu corpo todo tremer de nervoso e minha fala ficar mansa.
Já estava tudo preparado, eu havia criado uma composição musical, pois era a forma mais pura com a qual a minha alma conseguia se expressar. Eu tive que gravar a música, porque sabia que minha timidez não ia deixar eu fazer um ao vivo pra ela.
Era aniversário do meu primo-irmão .c.n e ela e outros amigos foram la pra casa dos meus pais pra gente comemorar o dia dele.
Os segundos iam passando e eu ia juntando qualquer migalha de coragem que aparecesse pra chamá-la pra conversar. A gente já estava “ficando”, mas mesmo assim, quando eu pensava em falar com ela, sentia um calafrio no corpo inteiro e travava. Até que finalmente a coragem veio e eu falei que tinha algo pra mostrar pra ela.
A gente foi até a sala de casa, onde o notebook já estava preparado com fones de ouvido e o arquivo da música aberto no Windows Media Player pronto pra ser tocado. Ela perguntou “o que é?”, eu falei que só queria mostrar uma música pra ela. Pedi pra ela colocar o fone, ela sentou, colocou o fone e eu dei o play.
Foram três minutos torturantes, mas repletos de esperança. “Será que ela tá gostando?”, “putz, que vacilo, devia ter cantado mesmo, ia ser mais massa”, “ela deve tá achando paia”, “que nada, ela deve tá gostando, tá show!” eram pensamentos que não paravam de passar pela minha mente durante todos os três minutos e pouco da música.
Sendo sincero, eu não tenho mais a música e muito menos lembro a letra, mas lembro bem que o último verso da canção perguntava se ela queria ser minha namorada. A música, então, acabou. Ela deu um sorriso, esse sorriso maravilhoso mesmo que você que a conhece sabe que ela tem. Se virou pra mim. Meu coração nessa hora parou por alguns segundos e só conseguiu voltar a bater normalmente, depois de ouvir o SIM. A gente se beijou e foi lá pra fora contar a novidade pra galera.
Continua nos comentários...