22/02/2021
REGIONALISMO
Por Dorotéo Fagundes
Apoio GBOEX e FUNDACRED
Contato: [email protected]
Buenas amigos e como está no Livro Agenda Gaúcha 2021, edição que traz a história das aves no folclore do Rio Grande do Sul, salientamos, saudando, pelas datas comemorativas profissionais e sociais do Brasil, os dias: 19, Dia do Esportista; o 21, Dia Internacional da Língua Materna; e o 23 Dia do Rotariano. E do tema dessa semana me vem dizer sobre HOMENS ILUSTRES DO RIO GRANDE DO SUL, inspirado no que Aquiles Porto Alegre publicou no século passado em 1917, no ímpeto de reverenciar as personalidades que fizeram a diferença no seu tempo. Aqui também queremos cultuar esses gaúchos que marcaram a ferro e fogo na história rio-grandense, em seus setores profissionais, seja qual for e neste mês, marca a data de nascimento de duas figuras importantíssimas à nossa cultura regional, Honeyde Bertussi e Juca Ruivo.
Assim no dia 20 de fevereiro de 1923, veio a furo na Criúva, distrito de Caxias do Sul, um guapo chamado Honeyde Bertussi Siqueira, dizem que o parto foi difícil por causa da gaita que vinha a meia espalda no lombo do quera, no mais o guri se criou bem, correndo nos campos da serra, tapado de carrapicho, que mais taludo e gaiteiro, já saia a cavalo montado no seu baio, de coxilha em coxilha, animando os rincões, firmando a alcunha que lhe deu fama como Cancioneiro das Coxilhas. Músico, compositor, cantor de nascença, até que chegasse seu irmão Adelar, para juntos a partir de 1942, revolucionarem o ciclo dos fandangos no Estado, fundando o Conjunto Musical Os Irmãos Bertussis, primeiro grupo a introduzir, a bateria em nossos bailes de galpões, que se faziam apenas com gaita, violão e pandeiro. Honeyde além de artista, foi radialista e depois de viajar e encantar o Brasil, com suas obras Passeando nos Pagos, Oh de Casa, Sangue de Gaúcho, dentre centenas, aposentou-se na década de 1980 e passou atuar como palestrante e apresentações didáticas, como maestro até seus últimos dias, quando em 4 de janeiro de 1996, foi cavalgar na Estância do Céu e para a história gaúcha. Em sua reverência em 1998, a Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, instituiu a Comenda Medalha Honeyde Bertussi, a cidadãos que tenham prestado relevantes serviços a nossa cultura regional a partir de Caxias do Sul.
E o nosso segundo gaúcho ilustre é mais que uma lenda, como expressa Jaime Caetano Brau em um verso de sua vasta obra poética, que encerra dizendo: Juca Ruivo é sem alarde, uma guarda fogo de angico...Eu quero dizer mais tarde, andarengo, pajador, ao falar do verso-flor, pra que todo mundo entenda: Juca Ruivo não é lenda, eu conheci esse cantor!”. Batizado como José da Silva Leal Filho, mais conhecido como Juca Ruivo, por evidentes razões, esse guerreiro, nasceu em 22 de fevereiro de 1902, no distrito do Garupa, em Quaraí, e mesmo sendo filho de família abastada, se criou quebrando queixo de bagual nas encostas do Cerro do Jarau. Nasceu e viveu na campanha, de família maragata, de ímpeto libertador aos 20 anos Ruivo se alistou na Coluna do Leão do Caverá, na Revolução de 1923, aonde serviu no posto de tenente. Era um intelectual astuto, poeta, escritor, de temas sociais, clamava por igualdade, tanto é verdade que num de seus versos encerra dizendo: Contudo, embora nos reste; baixo a cinza, indiferente; alguma brasa inda quente; do entusiasmo passado; o progresso respeitado; não matará essa ilusão; E ao toque de oração; se ouvirão vozes no campo; brilharão luzes no escampo; e viverá a Tradição!
Para pensar: Não tem como viver o presente, querendo futuro, matando o passado!