Crianças de Terreiros. Fotoetnografia Miúda #KékeréUERJ

Crianças de Terreiros.  Fotoetnografia Miúda #KékeréUERJ Ao ver crianças desempenhando funções importantes na casa descobri um mundo novo. Mas também descobri que crianças e jovens são discriminados nas escolas.

Sou Stela Guedes Caputo, coordenadora do Kékeré/UERJ, grupo que desenvolveu os chamados Estudos com Crianças de Terreiros que priorizam as crianças como sujeitos de pesquisas, incluindo imageticamente. Em 92 era repórter do jornal O Dia e cheguei ao terreiro de Candomblé de Mãe Palmira, em Mesquita, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, para um matéria sobre candomblé. A

lém disso, também percebi que as crianças e jovens de candomblé são invisibilizadas nas pesquisas sobre o tema, mesmo por pesquisadores clássicos do candomblé. Um problema sério das ciências sociais e do campo específico das pesquisas sobre candomblé. A reportagem que fiz virou pesquisa, depois amor, depois livro. Depois eu virei candomblecista. Essa página fala do livro e dos movimentos que provoca. Fala de uma pesquisa inaugural: crianças e juventudes de terreiros, da pesquisa que continua, dos debates que fazemos pelo país sobre o tema e todas as redes que se ligam ao tema. Todas as imagens ou vídeos que publico aqui podem ser usadas desde que respeitem as crianças e jovens, as comunidades de terreiros. Desde que respeitem meu amor pelo candomblé e pela pesquisa que norteia minha vida. Espero colaborar para novas pesquisas, novos olhares, sobretudo, novos olhares para infâncias de terreiros. Espero partilhar o que aprendo. Citem a fonte. É preciso dizer também que, de um tempo para cá, várias pessoas do país inteiro começaram a me enviar fotos de seus filhos e filhas nos terreiros. Criei a página só para minhas imagens de crianças e jovens, para suas falas, para algumas reflexões pontuais e não esperava que isso acontecesse, mas adorei a ideia. Assim, divido aqui o espaço entre as imagens que faço e as imagens que me enviam. Muito obrigada pelo afeto e confiança. Há muito o que se pesquisar com crianças e jovens de terreiros. Esse é um caminho longo e do qual tenho orgulho de percorrer com o Kékeré, meu grupo de pesquisa da UERJ. Kékeré significa miúdo, pequeno, em yorubá. O nome diz de nossa implicação: olhar justamente com as crianças e jovens de candomblé. O que foi desprezado por tantos pesquisadores e pesquisadoras é o mais importante para nós. Sigamos!

O Kékeré convida para mais uma defesa de tese. Link no story.
13/04/2026

O Kékeré convida para mais uma defesa de tese. Link no story.

08/04/2026

A conversa com Bernardo de Oxóssi, era sobre luz, sombra e fotografia. Eu havia dito há pouco que deixei entrar muita luz em uma foto que fiz. Ele guardou a fala e me devolveu em seu argumento, quando passamos a escolher o melhor lugar para as fotografias que gostaria de construir com ele. A luminosidade do dia se despedia e eu queria um lugar com mais sol. Ele insistiu na mata, com ou sem luz. E assim foi.

Nas pesquisas com crianças, é sempre muito importante que elas dirijam suas próprias cenas, escolham os espaços, definam os enquadramentos e participem ativamente das decisões sobre como desejam aparecer (ou não aparecer) nas imagens. Isso implica reconhecer sua agência não apenas como interlocutoras, mas como coautoras dos processos de produção de conhecimento. Nesse sentido, não se trata apenas de “dar voz”, mas de criar condições concretas para que as crianças componham, negociem e transformem a cena, inscrevendo nela seus interesses, afetos e modos de ver. Também é fundamental garantir que possam revisar, selecionar ou recusar imagens, assegurando um compromisso ético com sua autonomia, sua dignidade e com a história que desejam contar de si.

23/03/2026
Com muita alegria estarei no I Encontro de Terreiros na Universidade. É na sexta-feira, dia 24/3, na Uerj. Bota seu bran...
23/03/2023

Com muita alegria estarei no I Encontro de Terreiros na Universidade. É na sexta-feira, dia 24/3, na Uerj. Bota seu branco e bora que a luta vale! A programação começa às 10h. Falo na mesa das 14h: “Produção literária e acadêmica nos Terreiros”. Mais informações: ✊🏽🐚🕊

Hoje celebraremos o dia 21 de março estabelecido pelo  presidente Luiz Inácio Lula da Silva como Dia Nacional das Tradiç...
21/03/2023

Hoje celebraremos o dia 21 de março estabelecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. Marcando a importância da data, o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania Silvio de Almeida esteve ontem (20/3) no Museu da República para assinar Termo de Cooperação Técnica entre Museu da República, DPU e o Ministério. Juntos, o grupo de pesquisa KéKeré da Uerj, representado por Maria Hellena Nzinga (criança de terreiro e Abian do Ilé Àse Àyié Obalúwàiyé e por Stela Guedes Caputo - Coordenadora do Kékeré/Proped-Uerj e Dofonitinha de Logun edé – Ilê Axé Omi Lare Iyá Sagbá) e o grupo de pesquisa Laroyê, representado por Ellen de Lima Souza (Coordenadora do Laroyê
UNIFESP e Ekedy de Oxum – Ilê Axé Omo Asè Ibalatam) entregaram documento solicitando reunião com o ministro para discutir o racismo (incluindo o religioso) sofrido pelas crianças de terreiros. O documento continha relatos de crianças afirmando: “todo lugar é cruel para uma criança negra fora de seu terreiro. Nenhum lugar é tão cruel como a escola”. Afirmação que precisa ferir, sobretudo, aos educadores e educadoras. Também entregamos livros produzidos por nossas pesquisas e reafirmamos a importância da participação das crianças nas discussões sobre políticas públicas para a garantia do Direito das crianças ao Terreiro e à cidade. A luta vale!

Olhar de irmãos.….Dofono Willians, Equede Lara de Oxóssi.
29/01/2023

Olhar de irmãos.
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Dofono Willians, Equede Lara de Oxóssi.

Hoje! Fundamental!  ・・・Pela primeira vez, o Município promove evento em um Terreiro para ouvir as crianças de àṣẹ. Ação ...
19/01/2023

Hoje! Fundamental!

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Pela primeira vez, o Município promove evento em um Terreiro para ouvir as crianças de àṣẹ. Ação conjunta do grupo de pesquisa Kékeré/Uerj e Cedir/Prefeitura Rio. Imperdível!

Imperdível, fundamental!
13/01/2023

Imperdível, fundamental!

No terreiro vocês, o que as crianças pensam da cidade e desejam para a cidade?  Grupo de Pesquisa KéKeré, da Uerj,  e o ...
13/01/2023

No terreiro vocês, o que as crianças pensam da cidade e desejam para a cidade? Grupo de Pesquisa KéKeré, da Uerj, e o babalorixá da Coordenadoria da Diversidade da prefeitura do Rio de Janeiro - em conversa recente, mencionaram preocupação a respeito da ausência de crianças nas discussões sobre a cidade. Conversa que já levamos há algum tempo com o , grupo de pesquisa irmão. Que cidade uma criança imagina? De que cidade uma criança necessita? O que é preciso para que as crianças sejam felizes e seguras na cidade? Para nós, que pesquisamos com crianças de terreiros, ciganas, ribeirinhas, quilombolas e indígenas, é fundamental promover uma cidade inclusiva e que proteja a infância. Concordamos em continuar, de forma mais organizada, conversas com crianças sobre o assunto. Por isso, ontem, o KéKeré e a Coordenadoria da Diversidade Religiosa - representada por - estiveram no Templo de Umbanda Tsara Paixão Cigana - dirigido por Mãe Manu de Oxum . Conversamos com Vitório, Heitor, Pedro Miguel, Duda, Dudinha, Jade e Miguel. Aprendemos muito e, no dia 19/1, nos reencontraremos para seguir reflexão sobre infância e cidade.
Por agora, deixamos para a reflexão coletiva: essas não são as primeiras crianças de terreiros que reafirmam o terreiro como o lugar em que se sentem mais seguras. A escola e as ruas das cidades são destacadas como lugares de insegurança, discriminação e, às vezes, constrangimento e medo.
Agradecemos imensamente pela acolhida amorosa de toda a casa. Agradeço a pelas fotos.

Endereço

13 Avenida Automóvel Clube
Duque De Caxias, RJ
25260-000

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