17/08/2017
"Da cidade de Zirma, os viajantes retornam com memórias bastante diferentes: um negro cego que grita na multidão, um louco debruçado na cornija de um arranha-céu, uma moça que passeia com um puma na coleira. Na realidade, muitos dos cegos que batem as bengalas nas calçadas de Zirma são negros, em cada arranha-céu há alguém que enlouquece, todos os loucos passam horas nas cornijas, não há puma que não seja criado pelo capricho de uma moça. A cidade é redundante: repete-se para fixar alguma imagem na mente.
Também retorno de Zirma: minha memória contém dirigíveis que voam em todas as direções à altura das janelas, ruas de lojas em que se desdenham tatuagens na pele dos marinheiros, trens subterrâneos apinhados de mulheres obesas entregues ao mormaço. Meus companheiros de viagem, por sua vez, juram ter visto somente um dirigível flutuar entre os pináculos da cidade, somente um tatuador dispor agulhas e tintas e desenhos perfurados sobre a sua mesa, somente uma mulher-canhão ventilar-se sobre a plataforma de um vagão. A memória é redundante: repete os símbolos para que a cidade comece a existir". (As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino)
Tornamos os olhos para as Cidades Invisíveis nos ensaios fotográficos dos alunos da disciplina de Arquitetura Brasileira da Universidade Federal do Paraná.
A ansiedade de toda cidade é a de todos: existir.
Para deleite de todos, apreciemos a produção singular que são as cidades invisíveis de Curitiba.
Drª Juliana Suzuki, professora
Michele Hisa, monitoria acadêmica