08/09/2017
Bem, talvez o que eu penso pouco importe para você que está lendo este texto, mas os resultados do que estamos vivendo importam sim.... e importam muito.
Desde a promulgação da Constituição Federal em 1988 (quase 30 anos), a Política de Assistência Social vem tomando formas, se construindo, definindo papéis, organizando a oferta de serviços, a passos lentos sim, mas muito conseguiu-se até então. Veja, antes da CF a Assistência Social era vista como o lugar da cesta básica, como benesse, e porque não arriscar dizer que "na Assistência Social" se fazia favor para as pessoas.
Há quase 30 anos buscamos construir uma política pública de qualidade, que viesse ao encontro das necessidades daquela parcela da sociedade que é desprovida do básico para a sobrevivência. E ao longo destes 30 anos, criou-se a LOAS, instituiu-se uma Política Nacional e o mais bacana disso, um Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que como inspiração do SUS, organiza as ações, descentraliza os poderes, e traz os usuários para a discussão, porque.... sim.... este Sistema tem caráter participativo, que nada mais é do que dar a possibilidade de a população se manifestar e participar das decisões. Temos uma Norma Operacional Básica de Recursos Humanos que define profissionais com competência técnica para o atendimento da população, isto por que a população em vulnerabilidade também tem o direito de ser bem atendida, e de ter seus direitos alcançados, e que vão muito além da famosa cesta básica. Temos CRAS, CREAS, atendemos a partir de níveis de proteção social, e isso não é à toa!
Vejam, não estamos falando aqui em Programa Bolsa Família, até pq o SUAS vai muito além da transferência de renda, que também é importante sim, mas não é o suficiente. O que se buscou ao longo destes anos de construção foi uma Política de qualidade, que pudesse proporcionar à população o alcance dos seus direitos, que as habilidades das pessoas, assim como suas potencialidades pudessem ser despertadas. É fato que os desafios são inúmeros, que ainda precisamos evoluir, refletir, reavaliar e traçar novas metas. Mas voltar para o assistencialismo, retroceder em décadas não me parece ser uma solução viável neste momento de crise. Acabar com um sistema que está em constante evolução é como cercear sonhos de profissionais, de comunidades, de pessoas que ainda viam ali uma possibilidade de se sentirem seres pertencentes a um meio.
O que talvez poucos saibam, é que o SUAS é uma Política de Estado e nada tem a ver com Política de Governo, nada tem a ver com partido de esquerda ou direita. Mas tem a ver sim com garantia de direitos, aqueles que estão sendo "roubados" (a palavra do momento) de todos nós cidadãos brasileiros.
Vale refletir, vale discutir e vale se mobilizar.... só não vale retroceder no tempo, nem ficar parado esperando que decidam pela gente.
Afinal, somos nós sim.... a Brava Gente Brasileira. 👏👏☘️🇧🇷️