08/08/2026
Fazia tempo que eu não caminhava pelas ruas centrais e pela beira-mar da Vila de Pescadores da Praia do Cumbuco, sobretudo à noite. Hoje, porém, alguma coisa me chamou de volta àquele lugar. Talvez a lembrança, talvez a brisa, talvez apenas essa vontade inesperada que, às vezes, nos conduz sem muita explicação.
Deixei o carro em frente à casa de um amigo e segui a pé pela praça. Foi assim que a caminhada começou e, aos poucos, o Cumbuco foi se revelando outra vez diante de mim: vivo, iluminado, cheio de gente. Turistas nacionais e internacionais, além da turma da terrinha. Enfim, estava superlotado. Um lugar cosmopolita, com gente de todos os jeitos e de diversas origens, dividindo o mesmo cenário, conversando, passeando e aproveitando aquela noite bonita à beira-mar.
Enquanto seguia pela praça e me deixava levar pelo movimento, passei em frente a um restaurante e fui surpreendido pela música: alguém tocava no estilo chorinho. A curiosidade me fez entrar.
Lá dentro, logo avistei Marinaldo do Bandolim, filho do grande Mestre Macaúba, fazendo o bandolim “cantar”, acompanhado pelo belo e seguro som do violão de sete cordas, executado por Agenor Sete Cordas.
Solicitei uma garrafa de água mineral e passei a ouvir o dueto com calma, como quem interrompe a caminhada apenas para deixar o tempo desacelerar.
E, naquele instante, veio-me à lembrança o maestro Tarcísio Sardinha, de saudosa memória, grande músico e instrumentista cearense, quiçá um dos grandes nomes do Brasil. Foi então que fiz um pedido: que tocassem “Fim de Tarde”, uma de suas belas composições.
Marinaldo e Agenor, com a generosidade própria de quem entende que a música também é feita de memória e afeto, atenderam ao pedido. E eu registrei em vídeo aquele momento.
Curioso: era noite no Cumbuco, mas, por alguns minutos, a música trouxe de volta um “Fim de Tarde”.
Entre o som do bandolim, as cordas do violão, a brisa do mar e as lembranças que a música desperta, ficou a certeza de que alguns encontros não são planejados. Simplesmente acontecem.
E, quando acontecem, viram memória