26/02/2020
"Penso que maternidade é como presentear a si mesma, sem saber ao certo como é esse presente que o próprio corpo contém, em intenso movimento, onde se sente o desconforto e a beleza de nutrir a quem se quer imensurável bem. Uma surpresa imensa, afinal, é de formação exclusiva, onde se é a própria embalagem que abriga. A preparação é detalhada, e a espera para o contato visual, o cheiro e o toque é longa. O desempacotar da vida em uma mistura de semelhança, por herança genética, mas também, uma nova identidade em descoberta. O presente chega às mãos e parece escapar delas em meio ao desafio de ensinar sobre o viver, quando ainda se é aprendiz. As surpresas prosseguem... em auto conhecimento, em um novo ciclo, pouco
romântico em muitos aspectos, porém, sem dúvida, poético.
Sentindo o amor em várias nuances, entre o que se sente, pensa, deseja, e como de fato age, acolhendo sua vulnerabilidade e descobrindo o direito de isso tudo não coincidir... e isso significa SIM ter dado o seu melhor, mesmo sempre parecendo estar em falta. Uma experiência indescritível de entrega e coragem, onde se tem o essencial: a certeza de que junto com o presente vem também a capacitação natural... uma forma de arte! Em meio a rotina, mães reais, que compartilham essa experiência com empatia e sororidade, mas que vivem a auto descoberta em intensa
singularidade, repetidas vezes ou como “mãe de primeira viagem.”"
- Por: Entrelinhas Poesia