18/06/2025
Tenho me recolhido ao silêncio, não por ausência de pensamento, mas por excesso de lucidez.
Observo, diariamente, a cacofonia das redes: embates ideológicos, discursos raivosos, verdades absolutas gritadas por todos os lados — como se o volume garantisse razão.
O que vejo, no entanto, é um mundo cada vez mais surdo de si mesmo.
Inúmeras vezes redigi respostas. Palavras afiadas, argumentos densos, frases construídas com precisão cirúrgica.
Mas antes de publicar, respiro.
E me pergunto:
“Esta intervenção transformará algo?”
Quase sempre, a resposta é não.
Abdico, então, não por covardia, mas por sabedoria.
Pois aprendi que nem toda provocação merece resposta, e nem todo campo de batalha exige minha presença.
Poupar energia tornou-se um ato revolucionário.
Me comunico com poucos.
Com ainda menos, me revelo.
E mesmo assim, frequentemente, o que ofereço com confiança é devolvido com descuido.
A confidência, usada como armamento.
A vulnerabilidade, tratada como fraqueza.
Essa dinâmica me acompanha desde a infância — e não, não me endureceu.
Mas me tornou criteriosa.
Porque há partes de mim que são sagradas, e não mais empresto o sagrado a quem pisa descalço sobre ele.
Não me omito. Apenas escolho com zelo o que, quando e para quem falo.
Não me ausento do mundo, apenas habito um território interno onde a paz não é negociável.
E se alguém me perguntar se não tenho causas a defender, direi:
defendo minha sanidade, minha coerência, minha alma.
Pois há lutas que se vencem com presença, e não com ruído.
E há revoluções que começam, silenciosamente, dentro de nós.
🕊️✨