17/02/2020
[Sobre ciclos. E decisões. Leiam até o final, por favor, é muito importante. 🖤]
Desde que me conheço por gente, eu gosto de empreender; não tenho nem 30 anos e já tive diferentes "negócios", antes mesmo de saber que isso se chamava Empreendedorismo. Comecei lá com uns 11 anos, vendendo na escola pulseirinhas e cordões feitos de miçanga e nós incríveis que meu pai me ensinava a fazer. Depois, comecei também a gravar CDs com cópias de faixas diversas e bem aleatórias, que eu produzia no Windows Média Player a partir dos CDs da minha mãe e entregava sob encomenda depois de catalogar as músicas disponíveis que eu tinha.
Uns anos mais tarde (2008, pra ser mais exata), pedi a minha mãe uma camisa comemorativa do Vasco e ela se recusou a me dar "porque era muito dinheiro numa camisa de futebol". R$189,00, não esqueço. Ela disse que ia então me ensinar a fazer bombons pra eu conseguir juntar o dinheiro sozinha (maravilhosa!). Aprendi. Vendi. Comprei a blusa.
Aliás, eu vendi MUITO chocolate naquele ano e, sinceramente, fiz meu nome. Dominei o colégio, o trabalho dela, hotéis, outras escolas, as Páscoas seguintes. Era muito gostoso, verdade, e eu dava o meu sangue para que aquilo fosse possível. Juntei dinheiro e resolvi comprar um notebook. Logo depois, a minha primeira câmera, uma Sony H50. E era nesse ponto que eu queria chegar.
Comecei a fotografar tudo e todo mundo. Eu, que sempre fui super introspectiva, me sentia bem melhor estando atrás dela. Fui pra faculdade de jornalismo depois de um tempo e preferia mesmo era escrever com a luz sempre que possível. Fotografar, principalmente as pessoas, era realmente muito bom. Fiz cursos, estudei pra caramba.
O ano era 2010 e eu vendi minha Sony porque queria me profissionalizar e precisava de capital - a propósito, chorei demais encaixotando aquela câmera na noite anterior da venda e ainda hoje acho que me arrependo. Hahaha. Na primeira semana de 2011 comprei minha Canon T2i. Minha cabeça também abriu na hora que eu rasguei aquela embalagem. Eu tinha ali uma profissão de verdade e, o melhor, eu a amava.
No ano seguinte, meus pais construíram pra mim o que seria o meu primeiro estúdio, nos fundos de casa. Que baita sorte eu tive (e tenho) de tê-los por perto; incentivo, suporte e amor. A partir daí investi pesado no crescimento do meu negócio e na minha própria evolução; equipamentos, estudos, estrutura, tudo... Desafios infinitos e a certeza de estar fazendo a coisa certa.
Mas hoje, doze anos depois, com minha empresa e meu estilo consolidados, eu escolho respirar novos ares. Com o coração cheio de serenidade e consciente de que todas as escolhas que eu fiz me trouxeram até esse momento, sinto que é a hora de encerrar mais este ciclo - o mais importante da minha vida até aqui. É uma decisão que eu venho amadurecendo há algum tempo e 2020 me trouxe a paz que faltava para compartilhá-la. Durante todo esse período, construímos uma relação de entrega, confiança e respeito mútuos, e vocês não imaginam o quanto sou grata e orgulhosa de termos feito isso juntos. Guardei pra sempre muitas histórias e cada um aqui ajudou a escrever a minha. "Muito obrigada" é também MUITO pouco.
Imagino que esta seja uma daquelas grandes surpresas, principalmente para os meus clientes-amigos tão queridos, mas esta publicação não é ainda o meu bye bye definitivo, e sim uma espécie de "aviso prévio". Hahaha. A agenda permanece aberta e nos próximos dias eu venho contar mais detalhes sobre datas, valores e tudo de especial que estou preparando para que essa despedida (ou, pelo menos, pausa por tempo indeterminado) seja doce!
Estou muito feliz e de braços abertos para o recomeço!
Com todo amor e carinho possíveis,
Lia. 🥰