Eu também sou filho da terra

Eu também sou filho da terra Eu também sou filho da terra é uma iniciativa que promove a contação de histórias através da f

Paraopeba, 15 de fevereiro. Ao menos 308 quilômetros de rio contaminado. Dia em que a lama chega ao Velho Chico e seus 1...
15/02/2019

Paraopeba, 15 de fevereiro. Ao menos 308 quilômetros de rio contaminado. Dia em que a lama chega ao Velho Chico e seus 18 milhões de brasileiros.

Matusinha e Sirineu.O Quilombo do Sapé, mesmo distante da Mina do Córrego do Feijão, começa a sofrer as consequências do...
14/02/2019

Matusinha e Sirineu.

O Quilombo do Sapé, mesmo distante da Mina do Córrego do Feijão, começa a sofrer as consequências do crime cometido pela Vale. A comunidade tradicional está ilhada. A maioria da população adulta trabalha na cidade: em pequenos comércios, no museu de Inhotim, como terceirizados da mineração. Matusinha conta que no início não se importaram com o isolamento: “os atingidos precisavam de mais atenção que o Sapé”. Mas três semanas após o rompimento da barragem, a estrada que liga São José do Paraopeba a Brumadinho segue interditada. Agora a demanda é uma prioridade: precisam trabalhar, comprar comida, receber salários, ir a escolas e consultas médicas.

A Vale promete liberar uma rota alternativa que passa por dentro da Mineradora, ao menos para os transportes escolares, mas até agora nada. Além do Sapé, a estrada bloqueada isola outro povoados da região onde a população é majoritariamente negra, como Rodrigues, Ribeirão, Ar**ha, Marinhos e Massangana.

O Salão.Fundado com o fim da escravidão, quando uma pequena propriedade foi doada ao ex-escravo João Borges, o Quilombo ...
14/02/2019

O Salão.

Fundado com o fim da escravidão, quando uma pequena propriedade foi doada ao ex-escravo João Borges, o Quilombo do Sapé carece de políticas públicas que viabilizem uma boa qualidade de vida à comunidade. Antigamente, o Sapé tinha terra arrendada para plantar milho, arroz, feijão nas propriedades vizinhas. Hoje, a produção coletiva acabou: os fazendeiros pediram as terras para transformar hortas em gado. As cerca de 44 famílias reivindicam do poder público projetos de geração de emprego e renda para que desenvolvam a economia local. Mas não é escutada. Sirineu, que trabalhou por 22 anos em contato com a lama da barragem que se rompeu, diz que muitos foram forçados a labutar com a extração de minério por falta de opção e incentivo a outras culturas.

A reforma do salão de reuniões, onde a comunidade costumava se reunir, está entre outras demandas prioritárias. Recentemente a Eletrobras Furnas prometeu restaurar o espaço como forma de compensar o impacto da construção de redes elétricas no território quilombola. Promessa não cumprida. A pequena casa ao lado da igreja de São Vicente de Paula está caindo: vidros quebrados, paredes rachadas e fiação precária. Dentro dela, troféus, cadeiras, figuras de santidade e outras memórias da cultura negra centenária permanecem esquecidas.

A lama da morte.Aqui a sensação é que a lama foi realmente um gatilho disparado. Não há desastre, tragédia, ou qualquer ...
10/02/2019

A lama da morte.

Aqui a sensação é que a lama foi realmente um gatilho disparado. Não há desastre, tragédia, ou qualquer coisa do gênero. Há um descaso com qualquer forma e rosto de vida. Uma percepção real que a Vale trabalha com a morte, sabe lidar e negociar com ela. Ouço agora o ruído do trem que corta Brumadinho. A buzina arde. É o sinal que o minério não para, que o povo em luto tem que escutar o dinheiro correndo os trilhos em direção ao estrangeiro.

19/07/2018
"Há quem diga que em Pernambuco o mundo se faz na embriaguez do frevo. O frevo que madruga ao som dos clarins, anunciand...
17/08/2017

"Há quem diga que em Pernambuco o mundo se faz na embriaguez do frevo. O frevo que madruga ao som dos clarins, anunciando que o Galo vai fazer a terra tremer. Quando a orquestra toca, o Leão do Norte se levanta fervendo, frevando... Arrastando multidões por entre ruas e becos. Toda a gente entra na dança. Frevo de Rua, Frevo de Bloco e Frevo Canção dos poemas orquestrados, não importa. Como o povo consegue deixar a dor em casa, esperando? Talvez ela se dobre silenciosa diante de almas tomadas pela alegria. O povo que grita, bebe, br**ca e se veste de rainha ou de super-herói. Carnaval desengano. Carnaval esperança. Carnaval infância, onde até o grande sabe ser criança. É tanta alegria exalada, adiada, abafada.."

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Texto: Vilênia Porto
Foto: Olinda/PE, Brasil- por Pedro Stropasolas

"Da janela simétrica enxerga sua montanha. Raimar Scheidt tem por ela um laço familiar forte, que o faz permanecer por h...
03/05/2017

"Da janela simétrica enxerga sua montanha. Raimar Scheidt tem por ela um laço familiar forte, que o faz permanecer por horas em sua frente. A terra que surge da moldura, embora não tão distante, raramente pode ser alcançada por ele. No passado costumava caminhar por ali, entre a mata fechada, o riacho e a casinha em que nasceu, nos altos da comunidade alemã de Santa Isabel, no município de Águas mornas".

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Foto: Santa Isabel, Águas Mornas - SC, por Pedro Stropasolas

"Ser, a selvageria do existir. Dia azul queimado em cinzas, vamos ao seu encontro. Ser, do vento. Maior do que qualquer ...
28/03/2017

"Ser, a selvageria do existir. Dia azul queimado em cinzas, vamos ao seu encontro. Ser, do vento. Maior do que qualquer percepção lógica às tentativas de busca. O parâmetro: sol e vales. Por aí surge a comparação, o sabor do mastigar do pão dormido, do doce de pessego azedo, da fé em chão pisado. Ser, da areia, grãos e grãos, derretido nas confusões esquecidas em porta-malas de camionetas grandes. Ser, os homens-areia hão de aparecer pela contra-mão desta beleza universal. Caminharão pausadamente até virarem pedras. O soluço, modesto, simplificado nas sobrancelhas encrostadas em pó de estrada".

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Foto: Uyuni, Bolívia - por Pedro Stropasolas

Potosi, Bolívia.
23/02/2017

Potosi, Bolívia.

Endereço

Brumadinho, MG

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