08/02/2026
Atravessar a Serra da Moeda é caminhar sobre um dos capítulos mais densos da história de Minas.
Essa crista que liga paisagens e cidades compartilha o mesmo chão mineral que sustentou núcleos como Cata Branca, lugares onde o ouro moldou economia, caminhos e destinos.
Ontem percorri esse trecho da entrada de Moeda até o Topo do Mundo. Pela lateral, pela crista, pelo vento constante que sopra ali em cima. É um lugar imenso, simbólico, e ainda pouco vivido a pé e com consciência.
Vejo motos cruzando as trilhas.
Vejo cercas de arame farpado desenhando corredores na paisagem.
Vejo silêncio onde poderia haver mais gente caminhando, aprendendo, entendendo.
Estar ali não é só passar.
Presença é compreender o que aquele chão já foi, o que ele ainda guarda e o que ele representa para os mineiros.
Talvez falte mais gente envolvida. Mais caminhantes atentos. Mais sinalização, mesmo que simples e rústica, que ajude a orientar e proteger.
A Serra da Moeda não é só minério.
É memória também.
E talvez a melhor forma de proteger seja começar caminhando.